Só Cartola

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Gravado em 1998 e lançado pela Rob Digital no ano passado, esta homenagem a Cartola traz um encontro de primeira: Elton Medeiros, Nelson Sargento e o grupo Galo Preto interpretam os clássicos do compositor em 20 faixas. O repertório foi gravado ao vivo e traz ‘‘Alvorada’’ (parceria com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho), ‘‘Tive Sim’’ (Cartola), ‘‘Acontece’’ (Cartola) e ‘‘Peito Vazio’’ (Cartola e Elton Medeiros), entre outras. Além da fidelidade interpretativa, o disco tem um instrumental impecável, com tudo que o bom samba tem direito: bandolim, violão de seis e sete cordas, cavaquinho, flauta e percussão. Para arrematar, a presença de Elton e Nelson Sargento, parceiros do mestre mangueirense.


Eric Clapton

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A Abril Music traz uma reunião interessante: Eric Clapton aparece ao lado de antigos companheiros em ‘‘Eric Clapton & Friends’’. O lançamento relembra a época dos Yardbirds, traz os parceiros de Cream – Jack Bruce e Ginger Baker – e guitarristas que também passaram pelo Yardbirds: Jeff Beck e Jimmy Page. O repertório remete ao skiffle inglês, quando os garotos europeus tentavam imitar os bluesmen americanos improvisando instrumentos. Eric Clapton surgiu desta escola e esteve sempre ligado ao blues, mesmo quando transitou pelo reggae, rock e pop. Esta coletânea relembra os anos 60, quando Clapton era chamado de ‘‘deus’’ pelas ruas de Londres. Para quem gosta da fase Yardbirds/Cream, é um prato cheio. O único problema é que o encarte não traz as datas das gravações.


Márcio & Goró


Reprodução‘‘Festa Surpresa’’ é o terceiro CD da dupla Márcio & Goró, representantes do ‘‘funk’’ feito com percussão eletrônica que estourou na periferia do Rio de Janeiro e se espalhou País afora. No entanto, longe do cenário dos bailes funk e do Rio de Janeiro, pouca gente conseguiu o sucesso de Claudinho & Buchecha. Mesmo com produção mais apurada, incluindo samplers, guitarras, baixo acústico e naipe de sopros, os arranjos não são suficientes para segurar as melodias previsíveis. O disco tenta estabelecer um clima festivo que pode emplacar na programação das rádios comerciais. A maior parte das faixas é assinada pela dupla, com exceção de ‘‘Como Pode Terminar’’ (Márcio) e ‘‘Tudo Azul’’ (Lulu Santos/Nelson Motta), única regravação do álbum. O disco saiu pela Abril Music.


Jammil e Uma Noites


ReproduçãoJammil e Uma Noites pertence a uma geração da axé music que traz influências de estilos diversos, incluindo o rock, seguindo uma linha semelhante ao Asa de Águia. O disco ‘‘Jammil’’, lançado pela Abril Music, traz desde ska a ritmos nordestinos. Mas o contexto é o mesmo de vários grupos de axé: produção profissional para arranjos palatáveis e melodias de entretenimento. Com produção de Yacoce Simões e mixagem feita em Miami, o disco traz uma versão de ‘‘Lei da Selva’’, de Lulu Santos, além de dois pot-pourri: ‘‘Na Contramão 1’’ e ‘‘Na Contramão 2’’, reunindo composições do chamado ‘‘pagode baiano’’. O trio Jammil e Uma Noites tem seis anos de estrada e este é o seu terceiro álbum.


Tarkan

ReproduçãoO alemão Tarkan também estourou na pista, colocando a Turquia como referência musical. Mas a influência é diluída em arranjos pop dançantes em seu primeiro disco voltado para o público internacional. Tarkan adotou misturas tão diversas como guitarras distorcidas e instrumentos como a darbuka. Mas o resultado não é inovador, o músico não se diferencia muito do dance que prolifera pelas rádios comerciais. Tarkan nasceu em Frankfurt e se mudou para a Turquia aos 14 anos, onde lançou o primeiro disco em 1993. O CD que saiu no Brasil pela Universal é uma mistura de dois anteriores, respectivamente o segundo e terceiro lançados na Turquia: ‘‘Aacayaipsin’’ e ‘‘Olorum Sana’’, acrescentado de alguns singles que estavam fazendo sucesso internacional.


Khaled

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Depois de uma tentativa frustrada na década de 80 (alguém se lembra de Mori Kanté?), finalmente alguns compositores africanos e do Oriente Médio ganharam espaço no mercado brasileiro. A ‘‘onda árabe’’ tinha tudo para estourar por aqui, respaldada pela trilha sonora da Feiticeira e o interesse pela dança do ventre. Khaled é um dos principais representantes do Rai, um estilo pop da Argélia. Os arranjos de seu disco de estréia no Brasil até escondem algumas influências ocidentais, mas são menos diluídos que os de outros cantores da ‘‘onda árabe’’. Todo esse sucesso tem ao menos um fator positivo: a moda está possibilitando a entrada no País de outros títulos menos comerciais do Oriente Médio e África que, anteriormente, nunca chegariam ao Brasil.

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