São Paulo, 01 (AE) - Alguns dos novos discos lançados: Originais de Noel Rosa - Quarto volume da série com que a Revivendo recupera as gravações originais das músicas de Noel Rosa. Aqui são 21 músicas, gravadas por Leonel Faria ("Que se Dane", a parceria com J. Machado que dá título à nova compilação), Almirante ("Eu Vou pra Vila"), Mário Reis ("Tenho Raiva de Quem Sabe"), Araci de Almeida ("Pela Décima Vez"), Franciso Alves ("Para me Livrar do Mal"), Elisete Cardoso ("Balão Apagado"). Na voz de Noel, "Nunca... Jamais..". e "Mulata Fuzarqueira". Raridade, Noel canta em dupla com Ismael Silva uma música que não é dele, o samba gaiato "Escola de Malandro", de Orlando Luiz Machado. Live in Hamburg - Baden Powell, o maior violonista de todos os tempos, gravou muitos discos, no tempo em que morou na Europa. Quase nenhum foi lançado no Brasil. A Movieplay resolveu editar um deles, "Live in Hamburg". Gravado no auditório Maximum, da Universidade de Hamburgo, em 1983, traz o músico exuberante, em plena forma, e da maneira como é mais prazeroso ouvi-lo: sozinho. Baden e seu violão (e, eventualmente, sua voz pequena, rouca) se completam. "A Variação sobre Garota de Ipanema" é um acontecimento. O mesmo para as Variações Brasileiras, a partir de "Asa Branca", de Gonzaga. As palmas podiam ser cortadas. Vento Bandoleiro - Marcello Lessa é músico da noite conhecido no Rio. Já tocou com muita gente boa e compôs com gente ótima. Integra o quarteto Conversa de Cordas e seu trabalho como compositor é menos conhecido. Lança o primeiro solo, "Vento Bandoleiro" (peça pelo endereço [email protected]). Marcello tem voz gorda, melodiosa, grave, boa de sambas, toadas, modas, boleros, música brasileira. Billy Blanco avaliza na contracapa: "Vale uma bênção." Mais um acerto do mestre. Destaque para as parcerias de Marcello com Paulo Emílio, "Inconstitucional" e "Tolice Bendita". Há mais duas inéditas só do poeta Paulo Emílio, salve. água - Preciosidade é palavra pouca para definir o disco "água", de Chico Saraiva (violão), Eduardo Ribeiro (bateria) e José Nigro (contrabaixo), mais participações muito especiais de Benjamin Taubkin (piano) e Mané Silveira (sax). Lançamento bom, claro, independente, selo Cântaro (fale pelo endereço [email protected]). Guinga escreve, na contracapa (aliás, o trabalho gráfico é também primoroso): "Emoção, bom gosto, técnica apurada, soluções imprevisíveis..." É isso. Todas as músicas são de Chico Saraiva, como as bases dos arranjos. O choro "Chorando embaixo dágua" é de ouvir mil vezes. (M.D.) Carol Saboya e Nelson Faria Interpretam Canções de Tom Jobim - Carol Saboya ganhou o Prêmio Sharp, revelação de cantora, no ano passado, pelo disco Dança da Voz. Lança, agora, o segundo: Carol Saboya e Nelson Faria Interpretam Canções de Tom Jobim (Lumiar, endereço: [email protected]). A produção, de Almir Chediak, já garantiria a qualidade. A idéia foi separar para voz e violão as canções, só as canções, de Jobim, a começar pela linda e muito pouco conhecida "Meninos, Eu Vi, letra de Chico Buarque. Depois, "Estrada do Sol, Chansong, Foi a Noite, Janelas Abertas
Espelho das águas". Muito melhor do que a maioria das homenagens que Jobim vem recebendo. Contaminação - Naná Vasconcelos ficou 26 anos sem gravar no Brasil. Mora nos Estados Unidos, grava lá. Volta inaugurando o selo M. Officer. Soa estranho? Naná fez trilhas sonoras para os desfiles da grife. Carlos Miéli criou o Estúdio M. Officer, distrubuído pela Eldorado. E nós ganhamos "Contaminação", novo Naná, com participações de Alceu Valença e Vinícius Cantuária. Abre com o chamado mais conhecido do maracatu ("o meu... é da coroa imperial") numa homenagem ao agitador (talvez mais do que ao músico) Chico Science. Mas é maracatu, só. Tem forrós, canções, um Quase Choro, eletrônica, tambores crus. Genial Naná, sempre. Dunga - Dunga é um sambista de primeira linha. Não se deixe enganar pelo jeito arrumadinho como ele aparece na capa de "Dunga", seu disco de estréia (Velas), produzido por Paulinho Albuquerque (que produz, por exemplo, os discos de Guinga e de Fátima Guedes). Grandes sambas e jongos em parceria com Toninho Nascimento ("Fonte do Meu Coração), Roque Ferreira ("Baticum Bolado, Derramou, Rio, Coração do Brasil" e outras). Cantor cheio de brios, apresenta um original de Nei Lopes ("Mulher de Paletó") e rende homenagem a Mauro Diniz e Alcino Correia ("Vem Fazer um Dengo"), numa estréia que só merece aplausos . Carmélia Alves Abraça Jackson do Pandeiro e Gordurinha - Carmélia Alves, que atende por Rainha do Baião, posto que não perderá, estava longe do disco (e a voz em forma plena), mas volta pela gravadora CPC-Umes. "Carmélia Alves Abraça Jackson do Pandeiro e Gordurinha" comemora os 50 anos do baião nas composições de seus dois autores-intérpretes mais importantes (numa das vozes que o simbolizam). Nem tudo é de autoria dos dois, mas tudo foi gravado por um ou outro, e foi sucesso, do "Chiclete com Banana", de Gordurinha e Zé Gomes, marca de Jackson, ao "Casaco de Couro", de Rui de Morais e Silva, que virou símbolo de Gonzagão. Arranjos de Cézar do Acordeón. Die Klarinetmaschine - Vencedor do Prêmio Eldorado de Música, o quinteto de clarinetas Sujeito a Guincho lança o segundo CD, por novo selo alternativo - Y.Brazil?Music (www.yb.com.br). "Die Klarinetmaschine" segue a proposta do disco de estréia do grupo
passeando por um repertório vasto, nacional ou não, na fronteira do erudito e do popular - de Jacó do Bandolim ("A Ginga do Mané") , Severino Araújo ("Espinha de Bacalhau") e Egberto Gismonti ("A Fala da Paixão") a Brahms, Reiche, uma leitura delicadíssima do Hino Nacional (Osório Duque Estrada e Francisco Manoel da Silva). Tudo fica mais rico, lido pelos músicos extraordinários. (M.D.) Tributo a João Pacífico - Antonio Fagundes estava atuando na novela O Rei do Gado. Ouviu Almir Sater e Sérgio Reis cantando músicas de João Pacífico. Ficou encantado. Tanto que quis correr o risco de virar cantor. Gravou "Tributo a João Pacífico" (Som Livre). É um disco em que às vezes a boa intenção supera a qualidade. Menos por culpa de Fagundes, que, mesmo não sendo cantor, consegue passar o que as canções - "Vai se Chamar Saudade, Três Nascentes, Fim da Estrada" - dizem. Mas os arranjos são pavorosos. Os arranjos, em que pesem as participações do Duo Fel, João Mulato e Oswaldinho do Acordeon. Pacífico e Fagundes mereciam mais. Os Bambas do Violão - Para quem não tem os discos originais, até que vale: Baden Powell, Canhoto da Paraíba, Henrique Annes, Nonato Luís, Rafael Rabelo estão na antologia "Os Bambas do Violão", lançamento Kuarup. Que, ao mesmo tempo, edita a coletânea Os Bambas do Bandolim, com Hamilton de Holanda (jovem finalista da edição instrumental do Prêmio Visa), Déo Rian, Joel Nascimento, Pedro Amorim, Reco do Bandolim, Bruno Rian, Rossini Ferreira, Ronaldo do Bandolim, Jorge Cardoso. A observação vale para os dois volumes da coletânea Ases do Choro, da BMG, com Pixinguinha, Jacó, Luís Americano, Trio Carioca, Benedito Lacerda e outros mestres. Samba-Lê-Lê - Iniciativas independentes das grandes gravadoras têm oferecido produtos interessantes e inteligentes para o público infantil. Não servem ao consumismo ao à erotização precoce. Desse quilate é o CD "Samba-Lê-Lê, de Flávio Paiva, músicas interpretadas por Olga Ribeiro. São histórias de bichinhos, acalantos, historinhas de letras e números, delicadezas que encantarão menininhos e meninhas. As composições de Flávio Paiva, sobretudo simples, diretas, são de memorização fácil; o coro infantil funciona melhor do que a encomenda. O projeto gráfico é uma graça. Fale com os autores pelo endereço [email protected].

mockup