Está chegando às livrarias "O Diário de uma camareira", de Octave Mirbeau, romance que inspirou quatro filmes, inclusive um por Luis Buñuel. Mirbeau foi um agudo observador da decadência da Belle Époque e foi considerado, por Leon Tolstoi, "o melhor escritor francês" em seu tempo. O "Diário de uma camareira" foi lançado, em 1900, no apogeu do caso Dreyfus, um processo judicial que rachou a sociedade francesa e que é refletido no romance. Em pouco tempo vendeu mais de 140 mil exemplares.
A tradução brasileira foi acrescida de um prefácio e diversas notas explicativas pelo tradutor, Mateus Kacowicz. A personagem central, Celestine, percorre de conventos a mansões, sempre sujeita a cair e voltar a levantar-se, mas sempre dona de si e de seu corpo. É, de uma forma talvez ingênua, uma precursora das conquistas femininas. De cada lugar ela recolhe a sordidez e a virtude. E em sua viagem ao fundo do vício e da hipocrisia ela consegue ser inocente e perversa, exercendo-se inteira, pronta para o amor e – porque não? – para o crime.

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