Ele já foi ''cantado'' por algumas mulheres da música brasileira. Até poucos meses, sua assinatura era reconhecida somente no reduto do bairro boêmio da Lapa, no Rio de Janeiro. Após ter a carreira alavancada nas vozes de Maria Rita e Roberta Sá, o compositor e violonista Edu Krieger lança uma nova edição de seu CD homônimo, distribuído no final de 2006 de forma independente. Agora, pela gravadora Biscoito Fino, o artista é um dos nomes da nova cena do samba que vem consolidando merecido espaço - muito embora sua carreira prossiga há mais de dez anos.
Nas 14 faixas do disco, o compositor canta e toca violão de sete cordas acompanhado por sua banda. Produzido por Lucas Marcier, apenas uma das faixas foi feita em parceria, ''Temporais'', com Geraldo Azevedo, que também divide os vocais e violões com Krieger. Cercadas de bom humor, as letras também revelam um olhar atento sobre o amor e as paisagens sociais de um Brasil contemporâneo. Como quem deixa um recado, Krieger canta na última faixa: ''Deus conserve pra sempre meu bom senso temperado a pitadas de loucura''. A seguir, os principais trechos da entrevista que o artista concedeu com exclusividade à Folha2.

Você foi uma das figuras mais atuantes no processo de ''revitalização'' da Lapa. Fale um pouco desse movimento.
A Lapa, hoje em dia, é o melhor mercado de trabalho para o músico no Rio de Janeiro. Talvez um dos melhores mercados do Brasil. Mas isso é uma realidade atual, pois quando eu comecei a tocar na Lapa em 2001, era um lugar abandonado, malvisto, sempre remetido ao passado. A minha geração, em reverência a essa época áurea da música brasileira, começou a tocar na Lapa como uma brincadeira prazerosa de estar naquele ambiente, de tocar olhando para os Arcos. Não sei por que motivo exatamente, mas os músicos e o público começaram a assistir a gente tocar. Isso aconteceu de uma forma espontânea, com o famoso boca a boca.

Hoje em dia se fala muito do excesso de músicas comerciais que tocam à exaustão nas rádios. Em geral, grande parte delas não demonstra a devida preocupação estética com letras e harmonias. Por outro lado, citando até a Lapa, como você avalia a música brasileira atual?
Eu acho que a música brasileira voltou a ser muito prolífera. Minha geração está muito bem-servida de novos talentos. Além disso, a gente está muito bem-servido de intérpretes também. Existe uma legião de cantoras novamente que vieram com muita força, como a Roberta Sá, a Céu, Mariana Aydar, a própria Maria Rita. É um momento muito feliz na MPB por estar havendo espaço para esse tipo de renovação de repertório e novas vozes surgindo. Estou muito contente com o que eu vejo e isso já está começando a reverberar nos veículos de comunicação, as pessoas estão começando a olhar pra esta cena com mais atenção, com carinho especial.

Após essa visibilidade ao redor das suas composições que foram gravadas por vozes conhecidas, apareceu muita gente querendo músicas de Edu Krieger?
Houve uma época em que eu enchia o saco das pessoas quando mostrava meus velhos CDs caseiros (risos). Se eu ouvia falar de uma cantora nova, nem queria saber quem era se cantava bem ou mal; eu ia lá e me apresentava. Agora as coisas se inverteram e eu não estou dando conta de tanta gente que eu nem conheço me pedindo música pra gravar. É muito engraçado porque parece que criaram um estigma de um cara que vai abrir as portas do sucesso. E não é assim. Pensam que se a Maria Rita e Roberta Sá têm músicas minhas e fazem sucesso, qualquer outra pessoa que gravar também irá fazer (risos). E não é bem assim. Mas, brincadeiras à parte, é um momento muito feliz da minha carreira.

E quanto aos shows? Vai seguir pelo país?
Estão rolando muitos shows, principalmente na região Sudeste. Aqui no Rio eu já fiz o circuito todo, toquei em todas as casas - ainda bem, sempre lotadas - e estou começando a chegar a São Paulo, principalmente através do circuito do Sesc. Mas também quero descer para os estados do Sul. Tenho um carinho muito grande pelas pessoas de Londrina que conheci através da música carioca. Na Lapa, a gente sempre esbarra com alguém com o sotaque bonitinho da ''pequena Londres''... (risos). Muita gente que teve acesso a meu disco pela internet é desta cidade, por isso também tenho uma relação muito próxima com os londrinenses.

SERVIÇO
- Lançamento do CD Edu Kriger, pela gravadora Biscoito Fino. Preço sugerido: R$ 29. Mais informações: www.biscoitofino.com.br

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