Curitiba - ''Fui fazer um download e dei com os burros n'água.'' Até bem pouco tempo atrás era preciso pelo menos duas características para entender uma expressão como essa: conhecer um pouco sobre informática e entender as nuances das expressões brasileiras. Agora, para compreeender algumas gírias e palavras inglesas já incorporadas ao universo nacional basta ter em mãos a nova edição do Dicionário Aurélio. A versão mini do dicionário mais popular do País foi lançada ontem, em Curitiba. Além de novo design e verbetes incorporados, o dicionário traz outra novidade: pela primeira vez é editado pelo grupo curitibano Positivo.
O grupo lança a obra depois de uma disputada concorrência no mercado editorial brasileiro. Os custos que envolveram essa negociação são mantidos em sigilo por uma questão ''estratégica'', conforme divulga o departamento de marketing do Positivo. A empresa não esconde, no entanto, os ambiciosos projetos que pretende com a inédita parceria. A intenção é ampliar os pontos de venda da obra e aproveitar a já vasta inserção do material editado pelo grupo para fortalecer a referência da editora. Para facilitar a distribuição, o Positivo também está de olho em centros maiores e monta, em São Paulo, um escritório para atender a demanda imediata de distribuição dos produtos Aurélio.
Isso porque a sexta edição do Mini Aurélio não é o único produto que leva o nome do lexicógrafo Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira. O dicionário Aurélio, também conhecido como ''Aurelião'' deve chegar ao mercado no próximo mês, também sob o selo do grupo Positivo. O lançamento do CD-Rom também está previsto para este ano.
O contrato de aquisição dos direitos autorais dos produtos Aurélio foi fechado em dezembro do ano passado, com a viúva do autor, Marina Baird Ferreira, que detém os direitos autorais das obras. A duração do contrato é de sete anos, renováveis por mais sete.
O primeiro produto da parceria já está rendendo bons frutos. Dos 60 mil exemplares lançados nessa primeira edição, 43 mil já tinham sido comercializados até ontem. Além da distribuição nas livrarias de todo o País, a obra ganha um respaldo ao ser lançado pelo grupo Positivo. Voltada para o mercado educacional, a editora do grupo já editou mais de 300 títulos e mantém uma parceria com cerca de 2 mil escolas brasileiras para distribuir os livros didáticos editados. São mais de 500 mil alunos atendidos em todo o Brasil que vão ter acesso facilitado às obras do Aurélio. Somente esse ano, 4 milhões de livros já foram distribuídos pela editora, que também atende, numa parceria com o governo federal, a rede pública de ensino.
Com tanto respaldo fica uma dúvida: qual a vantagem, incluindo a financeira, de incorporar os tradicionais produtos Aurélio aos títulos da editora. O presidente do grupo, Oriovisto Guimarães, disse ontem que a justificativa da parceria não se restringe ao aspecto comercial. ''É o encontro de duas referências. Uma união que fará bem para os dois lados'', salientou.
A viúva de Aurélio Buarque, morto no final da década de 80 de insuficiência respiratória, também participou do lançamento ontem e disse que a família se sente homenageada com tanto empenho da editora em manter viva a tradição do popular dicionário. Para ela, não existe concorrência quando se trata da grande leva de pequenos e grandes dicionários semelhantes que estão sendo lançados quase que simultaneamente. ''A principal diferença dos dicionários Aurélio é a clareza na explicação dos verbetes. Nenhuma outra obra possui essa característica'', diz.
Marina trabalhava com o autor desde antes do casamento. ''Acho que ele casou comigo para me explorar'', brincou, em tom descontraído na coletiva de ontem. O autor nasceu em Alagoas e mudou-se para o Rio de Janeiro em meados da década de 30 para trabalhar como estatístico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Começou a carreira como professor de português e em 1940 se tornou lexicógrafo. Foi convidado por Manuel Bandeira para revisar o ''Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa'' e em 1969 deu início a execução do projeto próprio. A edição do primeiro grande dicionário que levava seu nome aconteceu em 1975.
''Aurélio era um perfeccionista, se não tirasse o dicionário dele, ele não parava de revisar'', conta Marina. Satisfeita com as mudanças que o Miniaurélio ganhou com a nova editora, ela revela que a equipe que trabalha agora na revisão e confecção dos novos produtos também mantém a mesma característica.
Essa nova edição do Mini Aurélio, por exemplo, traz mais de 100 páginas adicionais em relação a edição anterior, editada pela Nova Fronteira. O novo projeto gráfico substitui a cor vermelha das palavras pela cor azul. Além disso, a obra tem dedeiras laterais com as letras iniciais, facilitando a consulta. Verbetes em inglês, já incorporados à língua portuguesa, e algumas expressões curiosas, mas já bem assimiladas pela população, podem agora ser encontradas na obra, que chega ao consumidor pelo preço sugerido de R$ 22,90.

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