A pré-estréia nacional de ‘‘Os Xeretas’’ em Castro marca a reabertura do Cine Plaza. A primeira exibição do Plaza - tida na época como a mais moderna e luxuosa sala ‘‘de espetáculos fílmicos’’ -, aconteceu no dia 5 de outubro de 1958 com ‘‘O Manto Sagrado’’, da Fox Filmes.
Mas o cinema chegou em Castro em 1911, na mesma época da concessão da energia elétrica. Por causa da energia começam a surgir os cinemas Recreio, Odeon, Municipal e Popular. Na década de 30, aparece em cena uma nova casa de espetáculos o Cine República - que fica até 1939 -, que competia com o Odeon que fez sua última exibição em 1948. Ainda em 1948, aparece um novo cinema, de Padre Nicolau Baltazar: o ‘‘caseiro’’ Cinema Paroquial. Em dezembro de 1949, foi inaugurado o Cine Marajá.
O projeto para construção do Cine Plaza foi impulsionado pelo sucesso do Marajá, que era a única sala de exibição na década de 50. Uma sociedade anônima composta por 185 castrenses, decidiu investir no projeto em abril de 1956 e, exatamente um ano depois a obra teve início. Para envolver a comunidade, foi realizada uma eleição para escolha do nome do novo cinema. A população elegeu o nome ‘‘Jóia’’, mas os acionistas, que a essa altura já eram 227, não aprovaram e acabaram optando por Plaza, que havia recebido 30 votos a menos na pesquisa popular.
Segundo o livro ‘‘A Hora do Costume: do cinematógrafo ao Cine Plaza’’, do historiador e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, José Augusto Leandro, uma acirrada disputa pelo público foi travada com a inauguração do Plaza. Quem ganhava com isso era a população - de 1958 a 1965, Castro, um pequeno município no interior do Paraná, movimentava-se em torno das exibições cinematográficas. Clássicos do cinema, como os suspenses de Alfred Hitchcock, dividiam a atenção do público, ora no Plaza, ora no Cine Marajá, localizados exatamente um ao lado do outro. Como relata Leandro, até a qualidade da pipoca interferia na opção dos cinematófilos.
O arquiteto Rubens Meister, responsável também pelo projeto do Teatro Guaíra, assinou o projeto do Cine Plaza, com 1016 poltronas estofadas e os mais sofisticados equipamentos da marca Simplx XL da época.
O Cine Plaza funcionou até 1991, que na última exibição contava com menos de 30 espectadores. Depois disso, o espaço foi ocupado para exibições aleatórias e outras promoções, com algumas reformas.
Com a chegada da equipe de ‘‘Os Xeretas’’ em Castro, o Cine Plaza voltou a ganhar atenção. Ele serviu de sede de produção e cenários do filme e também da produção ‘‘Sonhos Tropicais’’, filmada entre setembro e outubro de 2000.
O produtor de ‘‘Os Xeretas’’, Homero Camargo, conta que o cinema já recebeu investimentos da ordem de R$ 100 mil. Além de toda a pintura interna e externa, a tela foi reconstituída e as máquinas de transmissão foram recuperadas. A pré-estréia de hoje acontecerá através dos mesmos equipamentos utilizados em 1958. Camargo afirma que a qualidade está garantida.(D.A.)

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