LANÇAMENTO DE CD/DVD Em ritmo de FREVO
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de fevereiro de 2008
Giovana Kindlein<br> Editora da Folha2 
São apenas frevos instrumentais. Mas de uma paixão tamanha pelo ritmo pernambucano que a música transcende em energia e animação. Em tempos de Carnaval, a SpokFrevo Orquestra mostra aos quatro cantos do Brasil os novos CD/DVD ''Passo de Anjo Ao Vivo'', lançados pelo selo Biscoito Fino. ''É um sonho realizado tocar o frevo-de-rua em um palco'', fala com satisfação o maestro Spok, que comanda 16 instrumentistas de metais, sopros e percussão.
No Sul, só é comum ouvir frevo apenas durante o Carnaval. Quem não conhece o célebre refrão ''Lá, rá, rá, rá, rá, rá....lá, rá, rá, rá, rá, rá'' do frevo ''Vassourinhas'', de autoria de Matias da Rocha e Joana Batista. A música não poderia faltar ao trabalho da SpokFrevo Orquestra. Mas a canção se junta a outros 11 tipos diferentes de frevo e pouco conhecidos por aqui. Com exceção dos moradores de Cascavel, que tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho da orquestra pernambucana há um ano. ''Estivemos lá durante um festival e mostramos algumas das músicas que estão neste DVD'', relembra Spok.
O frevo-de-rua apresentado no CD/DVD é unicamente instrumental, permitindo aos músicos uma forte e intensa improvisação. ''Passamos a sonhar e a colocar liberdade de expressão no nosso trabalho'', destaca o maestro de 37 anos. A SpokFrevo Orquestra pôde exercer o improviso ao lado de Léo Gandelman, na música ''Lágrimas de Folião'', com o baiano Armandinho em ''Último Dia'' e também com Genaro em ''Frevo Sanfonado''.
O show que foi gravado no Teatro Santa Isabel, no Recife (PE) foi dedicado ao irreverente Félix Lins de Albuquerque - mestre Felinho (1890-1970) - criador de famosas variações do frevo ''Vassourinhas''. Ao longo de sua vida, Felinho foi muito criticado pela maioria que limitava-se apenas à leitura da partitura.
Exemplo da improvisação empolgante da SpokFrevo Orquestra ocorreu no Tim Festival 2005, no palco dedicado às feras do jazz como John Mclaughlin e Wayne Shorter. Naquele dia, a vida da orquestra mudou. Mas as inovações vêm acontecendo ao longo de 10 anos de carreira.
O povo pernambucano sempre fala que tem uma música e uma dança que nenhuma terra tem. A paixão com que o maestro Spok discorre sobre o ritmo é digna de registro. ''A gente que se criou tocando no meio da rua sente como tocar frevo é maravilhoso. É mágico''. A diversidade cultural se estende pelo ritmo pernambucano em variadas formas. O frevo-de-rua é instrumental, ao contrário do frevo-canção - com vocalistas - e do frevo de bloco - executado por uma orquestra de pau e corda, cantada somente por mulheres.
Se engana quem pensa que o frevo - por ser tocado na rua - não necessita de conhecimentos formais, de orquestração e arranjos. É preciso ter competência musical. Atributo que o maestro Spok tem de sobra. ''Improvisar no frevo requer muito estudo e muita prática'', diz. Nomes como Lenine e Beth Carvalho prestigiaram a orquestra no show de lançamento de ''Passo de Anjo Ao Vivo'' no Canecão, no Rio de Janeiro, no dia 10 de janeiro passado. Beth chegou a subir ao palco numa clara demonstração de harmonia entre o samba e o frevo.
Embora o maestro diga que não se envolveu diretamente com a escolha da data para lançar ''Passo de Anjo Ao Vivo'', o período momesco é mais que propício para a ocasião. ''Acredito que a data tenha sido para aproveitar a chegada do Carnaval'', considera Spok. Passados alguns instantes, a paixão pelo ritmo volta a imperar: ''São duas coisas diferentes: o frevo no Carnaval e o frevo de palco. No CD/DVD a música está em primeiro plano!'' Na próxima terça-feira Spok recebe Elba Ramalho, Gal Costa, Alcione, Lenine e Roberta Sá no palco no Marco Zero, na Praça do Recife, ao lado de 180 componetes. ''Não posso sair de lá, não''.


