LANÇAMENTO DE CD - Seu Jorge, samba-rock em América Brasil
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de setembro de 2007
Cristina Fibe<br> Folhapress 
Seu Jorge já fez um CD de exportação, ''Cru'' (2004), traduziu músicas consagradas do inglês David Bowie e, há dois anos, se aventurou em uma parceria inusitada com a cantora Ana Carolina. Agora, ele volta às origens com o independente ''América Brasil'', samba-rock talvez ainda mais samba-rock do que seu primeiro solo, ''Samba Esporte Fino'' (2001).
O cantor apresentou o novo CD em shows neste fim de semana no Via Funchal, em São Paulo. Na turnê, inédita em sua carreira e idealizada e organizada por ele, Seu Jorge percorrerá o Brasil de Sul a Norte - de ônibus - para apresentar o trabalho, feito por selo próprio (o Javali Valente), e que só será lançado oficialmente (pela EMI) quando a viagem acabar.
O cantor começou a série de shows em Porto Alegre, no último dia 13, passou por Florianópolis e seguirá para outras seis cidades (além de SP), concluindo a turnê em Belém, no dia 27 de outubro. O curioso é que Seu Jorge vai pular o Rio, sua cidade natal - por não ter encontrado o ''local ideal'' por lá.
Radicado em São Paulo, onde mora com as duas filhas e a mulher, Mariana, o cantor conversou com a reportagem antes do início da turnê, na semana passada.
Ele recebeu a reportagem em sua casa, numa rua calma do bairro de Pinheiros, tocando flauta. A garagem, transformada num charmoso lounge, cheirava a incenso. Ofereceu bebida, mostrou com orgulho a pequena geladeira que cospe latas, pegou um refrigerante e cigarros.
Relaxa e entrevista - ''Sei como funcionam essas coisas. Daqui a pouco você relaxa'', disse, gaiato, como se a pressão da entrevista nunca estivesse sobre o entrevistado.
Durante duas horas, Seu Jorge falou sobre o novo CD, a ligação com o ''Cansei'', a decisão de fazer uma música para a cachaça Sagatiba e as críticas que recebeu por ter gravado com Ana Carolina.
Ele afirmou não saber que tipo de platéia irá encontrar pelo país. ''Eu não sei mais quem é meu público depois da Ana Carolina, porque chegou muita gente nova. E eu não sei quem são essas pessoas. Eu não faço TV, não tenho muito jeito, não toco muito no rádio... o meu trabalho mesmo não toca'', diz, exibindo sua modéstia.
Mas ''É Isso Aí'', hit da parceria, tocou nas rádios até cansar. ''A Ana Carolina que tocou!'', esquivou-se. Vista por parte do público de Seu Jorge como um fenômeno brega, a cantora insistiu para que o trabalho acontecesse e foi ele, segundo diz, quem ficou com medo de ''comprometer'' a imagem dela.
''Eu tinha um medo. Eu não queria no começo, e depois vi ela acreditando bastante, ''pô, cara, vai ser legal, vambora, não é normal', e falei ''tá bom, tá acreditando...'. Eu tinha medo de comprometer a história, por ser essa coisa, toco do meu jeito, sem muita arrumação, um desenho mais apurado. Ela é mais apurada, mais ''clean'.''


