A gloriosa saga dos filmes de bangue-bangue não poderia receber melhor homenagem nesta data redonda. O livro ''100 Anos de Western A Epopéia do Velho Oeste no Cinema'' (Opera Graphica), de autoria do ítalo-brasileiro Primaggio Mantovi, conta em minúcias a trajetória do gênero que já foi definido como ''o cinema americano por excelência''.
''Há os que gostam mais de cinema western e os que gostam menos. É difícil, porém, encontrar alguém que não tenha guardado nenhuma lembraça de algum filme ou não tenha sonhado com algum personagem desse fascinante mundo'' anota a pesquisadora Sonia M. Bibe Luyten no texto de apresentação.
O volume desencava os primórdios do cinema faroeste, em 1903, até chegar aos dias de hoje, embutindo fatos históricos e políticos como pano de fundo. Desfilam pela obra grandes personagens do velho oeste, como Búfalo Bill, Calamity Jane e Wyatt Earp; escritores, como James Fennimore Cooper e Zane Grey; diretores como John Ford, Raoul Walsh e Sam Peckinpah; além de astros e estrelas como John Wayne, Gary Cooper, Gregory Peck, Randolph Scott, Clint Eastwood, Barbara Stanwick, Marlene Dietrich, Maureen O'Hara e uma infinidade de outros que ajudaram a construir uma das escolas mais populares do cinema.
A obra não se atém às grandes produções hollywoodianas, dissecando também os chamados filmes ''B'', assim como a produção feita especialmente para a televisão. As diferentes fases e estilos são analisados, seja do ponto de vista estético ou de seu impacto mercadológico. O autor também recapitula outros países que tentaram, com maior ou menor sucesso, mostrar a sua versão das aventuras passadas no longínquo oeste a Itália com seu ''Spaghetti Western'', a Alemanha com seu ''Chucrute western'' e até o Brasil com o filme ''Matar ou Morrer'', rodado em 1954 sob direção de Carlos Manga com Oscarito e Grande Otelo no elenco.
Ele lembra que o gênero alcançou a maturidade com o filme ''No Tempo das Diligências'' (1939), de John Ford, através do qual deixou de ser diversão de matinês para adquirir status de arte. A obra, escreve ele, era ''extremamente simples, com as costumeiras cavalgadas, ataques de índios e duelo final...mas com algo mais: pela primeira vez, um diretor ousava mostrar em um filme de faroeste o conflito moral, social e psicológico de seus personagens''.
Mantovi aborda ainda as relações entre o faroeste produzido para a tela e para a televisão, os impasses criados com a introdução do cinema falado e das cores, além das mudanças de tratamento de alguns temas. Neste ponto, vale lembrar como os índios foram retratados pelo gênero, passando de criaturas cruéis dos primeiros longas-metragens a personagens humanizados ou vítimas da colonização em produções recentes como ''Um Homem Chamado Cavalo'' e ''Dança com Lobos''.
No final do volume, o autor contraria aqueles que decretam a morte do gênero, torcendo para uma retomada ''pelas mãos de um Spielberg, um Scorcese ou, quem sabe, do próprio Clint Eastwood, despedindo-se do cinema com um ...western!''. Com 148 páginas, ''100 Anos de Western'' é fartamente ilustrado com fotos em preto e branco de cenas de filmes e dos heróis que marcaram a memória de gerações.

Serviço:
- Livro ''100 Anos de Western A Epopéia do Velho Oeste no Cinema''. Autor: Primaggio Mantovi. Editora: Opera Graphica (tel. 11/3088-9116). Preço: R$ 32,00.

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