LANÇAMENTO - Vera Fischer em AUTOBIOGRAFIA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Roberta Pennafort<br>Agência Estado 
A repórter chega à cobertura de Vera Fischer, no Leblon. Na sala, dá de cara com a parede coalhada de quadros pintados pela atriz. Dois minutos depois, ela aparece. A deusa sorri - mas não é só ensaio para as fotos que virão a seguir. Vera diz que está feliz, e parece feliz, de fato. Aos 56 anos recém-comemorados, já plantou uma árvore, deu à luz dois filhos e escreveu um livro. Um, não, três! O primeiro deles ela lançou ontem, pela Editora Globo, na Livraria da Travessa, no Rio.
A autobiografia (ela prefere chamar de diário) Vera, a Pequena Moisi (Editora Globo, 200 páginas, R$ 29 ) - apelido que ganhou dos pais alemães quando criança, que soa como ''ratinho'' na língua deles -, decepciona quem está em busca de detalhes de sua conturbada vida, relatos sobre noitadas regadas a álcool e drogas (há muito extintas), histórias de bastidores de novelas e confissões sobre seus (ruidosos) relacionamentos amorosos.
Já para os que têm curiosidade sobre os anos que precederam o concurso de Miss Brasil que a alçaria à fama é leitura leve e até saborosa, que não dura mais do que três horas. Prefaciado por Flavio Marinho, o livro - que, para o dramaturgo, mostra como ''os anos verdes influenciaram os anos maduros'' do furacão loiro -, vai até seus 14 anos, bem antes de a jovem catarinense ficar conhecida por sua beleza no País todo.
Fala de sua rica convivência com os pais, a avó e a tia, das travessuras com as amigas, da paixão pelos Beatles e por Ingrid Bergman, do primeiro beijo, aos 13 anos (dado num garotinho que namorava outra). Os 29 capítulos foram escritos em diferentes épocas em cadernos pessoais e reunidos sem que haja uma ordem cronológica.
Todos são recheados com lindas fotos, da Vera mãe, filha, neta, símbolo sexual. Entre relatos sobre a família e declarações de amor aos filhos, Rafaela, de 27 anos, que mora com ela, e Gabriel, de 14, que vive com o pai, Felipe Camargo, e o modo nada ortodoxo com que os criou (ela afirma ser contra a imposição de qualquer tipo de limite), o leitor se depara com frases que podem ser do escritor Oscar Wilde ou do personagem Buzz Lightyear, de Toy Story.
E ainda listas de filmes e livros preferidos e reflexões próprias sobre sua personalidade.
Ela logo se revela: ''Gosto de mitologia, de fadas, duendes, demônios, anjos, deuses, espaços, movimentos. (...) De romantismo, poesia, de coisas preciosas, do sempre, dos contos das mil e uma noites. Serei Sherazade porque mil histórias vou inventar. Para não morrer? Sim, para não morrer.''
Sobre sexo, conta que, depois de ler Sade e Henry Miller percebeu que o sexo está ''aliado às maldades, às perversões, às maldições''. Mais adiante, garante: ''Sou a mais feliz das mulheres que conheço. Só por existir. Não sei se me nasceram ou se eu me nasci. Acho que quis nascer.''


