LANÇAMENTO - Uma década de fotografia pensante
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Nestes mais de 160 anos de história, a linguagem fotográfica esteve no front de inúmeras guerras, ergueu e derrubou ditadores e regimes, criou mitos, desfez outros e, depois de tudo isso, ainda se mantém como um dos instrumentos ideológicos mais influentes e críveis do nosso tempo. Tanto é assim que o curso de ''Especialização em Fotografia: Praxis e Discurso Fotográfico'' da Universidade Estadual de Londrina (UEL), reconhecido como um dos mais importantes do país, chega aos seu décimo ano vendo seu campo de estudo se ampliar vertiginosamente.
Numa espécie de comemoração desta década estudando a linguagem fotográfica, a coordenação do curso e os atuais pós-graduandos lançam às 21h00 de hoje, na Livrarias Porto do Shopping Catuaí, o segundo número da revista ''Discursos Fotográficos'', resultado de pesquisas realizadas a quatro mãos sobre a magia da imagem. ''Optamos em editar a revista no formato livro pela importância e qualidade dos artigos e pela facilidade de guardar. É uma publicação para ser colecionada'', valoriza o coordenador do curso de pós-graduação e editor da revista, professor Paulo César Boni.
Os 13 trabalhos publicados neste segundo número da revista seguem as linhas de pesquisa definidas no curso ''Imagem e Mídia'' e ''Linguagens e Poéticas Fotográficas'' , numa variedade de temas que demonstra a riqueza de abordagens permitidas pela fotografia, tanto pelo lado bom quanto pelo lado ruim, como demonstra o artigo ''A Ética no Fotojornalismoda Era Digital'', que Boni escreveu em parceria com Cláudia Maria Teixeira de Almeida. Alí, vemos como a imagem foi importante para consagrar Lênin como líder da revolução socialista na Rússia de 1917. E também para a propaganda de Hitler. Temas locais também não foram esquecidos. O professor José de Arimathéia Cordeiro Custódio aborda o tratamento dado pela Folha de Londrina e pelo Jornal de Londrina ao problema da superlotação em hospitais públicos da cidade.
Da jornalista Maranúbia Barbosa, podemos perceber como e porque o Brasil ainda é visto como o país dos ''balangandãs'' pelos franceses. Na mesma linha, situa-se o artigo sobre o cinema ''Cidade Maravilhosa...'', de Amanda de Camargo Mendes e Isaac Antônio de Camargo , que analisa a reafirmação dos estereótipos nacionais nas produções ''Orfeu'', ''Bossa Nova'' e ''Cidade de Deus''. Já Guilherme Marcondes Tosseto, Dirce Lopes e Miguel Contani, mergulham nas imagens de Yanomamis feitas por Cláudia Andujar para investigar elementos de identidade cultural. A publicação, em resumo, é um passeio pelo discurso da imagem, como foi o exercício de etnografia praticado por Janine Damasceno Moura Fé e Maria Irene Pellegrino de Oliveira Souza numa volta de ônibus pelo Bairro Cafezal, em Londrina.


