LANÇAMENTO - 'Songbook' reúne o melhor da poesia de Mário Lago
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de dezembro de 2003
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Vinte e três canções, inclusive os clássicos, ''Ai! Que Saudades da Amélia'', ''Aurora'', ''Nada Além'' e ''Atire a Primeira Pedra'', estão no songbook ''A Poesia de Mário Lago''. O livro é uma idéia do produtor e jornalista Roberto Moura, que chamou o maestro Cláudio Hodinik para escrever as cifras para violão e as partituras da melodia e convenceu a Editora Vitale a criar uma coleção reunindo a produção de letristas da música popular brasileira.
''A série começou com o Aldir Blanc (lançado há dois anos) e pode continuar com Nei Lopes, Paulo César Pinheiro e muitos outros porque bons letristas não nos faltam'', conta Moura. ''No caso de Mário Lago, quis mostrar a diversidade de parceiros que ele teve, a sofisticação de sua poesia e também que ele era um grande melodista, pois compôs muita música e letra junto. Ele é dos poucos compositores que fizeram letra para melodias do pai, o maestro Antônio Lago, e música para letras que o filho dele, também chamado Mário, escreveu.''
Mário Lago morreu há um ano e meio, aos 90 anos, e deixou uma obra tão extensa e variada que é difícil defini-lo. Foi ator de televisão, criando personagens inesquecíveis em novelas da Rede Globo, mas antes havia sido rádio-ator e roteirista de programas da Rádio Nacional, em seu período de ouro. Compôs mais de 200 músicas, escreveu musicais e peças dramáticas para teatro e ainda encontrou tempo para a militância política, o que lhe causou problemas profissionais (esteve entre os demitidos da Rádio Nacional em 1964) e prisões ocasionais, que ele descreveu no seu livro ''Reminiscências do Sol Quadrado''.
O songbook se restringe a 23 canções para chegar às livrarias a um preço acessível (R$ 34,00), mas o melhor de Mário Lago está lá. Além dos sucessos, geralmente com músicos como Ataulfo Alves, Custódio Mesquita, os mais constantes, há parcerias bissextas, como ''Questão de Vez'', com Nássara, e ''Número Um'', com Benedito Lacerda. ''Esta era a música preferida de Getúlio Vargas, foi um sucesso tremendo na gravação de Orlando Silva'', conta Moura, enfatizando a ironia de Mário Lago ter sido um opositor ferrenho do Estado Novo, que o levou algumas vezes à prisão. ''Quis também mostrar o lado brincalhão de Mário Lago, em marchinhas como 'Salve a Preguiça, Meu Pai', que tem letra e música só dele.''


