LANÇAMENTO - Roberto Carlos em livro
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de dezembro de 2006
Jotabê Medeiros<br>Agência Estado 
Eu vou contar para todos a história de um rapaz... Em 1990, o historiador e jornalista Paulo César Araújo (autor do celebrado livro Eu não Sou Cachorro Não, sobre a música brega brasileira) estava ainda na faculdade e iniciou um trabalho de pesquisa sobre a Jovem Guarda. Passou os últimos 16 anos coletando documentos e fez 175 entrevistas sobre o tema, conversando com Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gal Costa, João Gilberto (único depoimento que o papa da bossa nova deu a um livro). Araújo formulava as questões e, ao cabo de alguns anos, teve a convicção de que um nome perpassava quase todas as histórias da música nos últimos 40 anos no Brasil: Roberto Carlos.
O personagem se impôs sobre o tema e a pesquisa acabou se tornando a motivação que faltava para Araújo escrever Roberto Carlos em Detalhes (Editora Planeta, 504 páginas, R$ 59,90), que chega às livrarias na próxima semana. É a mais alentada, completa, profunda, documentada e conseqüente biografia do maior cantor popular do País, com um detalhe: não é autorizada (o único que tem carta branca de Roberto para isso é Okky de Souza).
Curioso também notar que, apesar de ter vendido mais de 70 milhões de discos e de ter uma carreira constante de mais de 50 anos, Roberto Carlos raramente é alvo de livros biográficos. Apenas dois autores foram mais fundo no tema: Pedro Alexandre Sanches, em Como Dois e Dois São Cinco (Editora Boitempo, 2004), e Ayrton Mugnaini Jr., em Esta É a Nossa Canção (Editora Sampa, 1993). Bob Dylan tem cerca de 450 livros sobre sua vida e carreira, enquanto um mito desse tamanho é quase desconhecido, diz Araújo.
Apesar de contar detalhes sobre temas-tabus, como a perda de parte da perna direita num acidente, quando tinha 6 anos; seus relacionamentos amorosos e a primeira namorada; os momentos que antecederam sua maior perda pessoal, a morte da mulher Maria Rita; apesar de tudo isso, o livro de Araújo é tão respeitoso e criterioso que, em nenhum momento, resvala no oportunismo.
A seguir, leia trechos da entrevista com o autor.
Roberto leu o livro?
Não. Tive apenas o cuidado de comunicar que estava fazendo.
Você sabe que, quando um jornal popular de São Paulo tentou contar a história do acidente em que ele perdeu a perna, ele foi à Justiça e ganhou. Não teme isso?
Não fiz o livro com receio de nada. Minha preocupação é de historiador, de checar, de confrontar, buscar fontes de pesquisa, iconográficas. Quando abordo o tema do acidente, é para sair desse disse-que-me-disse, das versões, coisas desencontradas. Mais delicado foi falar da morte da mulher, Maria Rita. É o que mais mexe com ele hoje.
Você também foi atrás do primeiro amor da vida dele, Magda, de quem pouco se ouviu falar.
Só se falava em Nice, Miriam Rios, Maria Rita. Essa passou em branco porque era uma época em que ele ainda não era famoso. Foi um trabalhão localizar a Magda, para quem ele compôs Quero Que Vá Tudo para o Inferno. Roberto agora tem mais uma musa.
Roberto não é mais o maior vendedor de discos do País. Qual é o lugar dele no show biz?
É uma instituição nacional. Mais que popularidade, tem prestígio. Vender discos não é mais tão importante. É como Paul McCartney. Sem experimentar decadência.


