A poeta Karen Debértolis abriu a gaveta. Quase dez anos depois de encerrar o que julga ser sua fase inaugural de criação poética, decidiu vasculhar os primeiros textos trazendo-os à luz agora para os leitores. O material pinçado foi reunido no livro ''Guardados'', que ela lança hoje, às 19 horas, na Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina.
O volume chega ao público pela Atrito Editorial, como parte do projeto ''O Fim da Literatura'', patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Com textos de apresentação de Fernanda Magalhães e Marcos Losnak, traz poemas produzidos nos anos 80 e 90, alguns já publicados na coletânea ''12 Antologia de Poetas Londrinenses'' e em outras compilações.
''Não houve um fio condutor lógico, racional e cronológico orientando a seleção dos textos. Tentei amarrá-los através da temática, da linguagem, e por um viés mais subjetivo, da memória e dos sentimentos'' explica ela. Karen assinala que o livro é uma forma de fechar um ciclo, de quitar uma dívida com os versos armazenados.
''Ele conta um pouco de minha trajetória. Faz emergir as influências, revelando como se formou a autora'' diz, citando mestres como Paulo Leminski, Ana Cristina César, Augusto e Haroldo de Campos. Ao retomar essa produção, sentiu-se empolgada para praticar a velha arte: ''A poesia é sempre uma forma de trabalhar o rigor, um grande exercício para dosar as palavras, as sensações e os sentimentos. Eu a tinha deixado de lado, mas nesse último ano voltei a escrever. Alguns textos já foram parar na gaveta, outros coloquei num blog ([email protected]) que mantenho em sociedade com minha sobrinha (Ivana Debertólis) na Internet''.
A Internet, aliás, tornou-se fonte inesgotável de estímulos para a poeta. Fascinada pela web, ela argumenta que a nova mídia está democratizando o acesso do público a novos autores, cuja visibilidade deixa de depender do mercado editorial. ''É um veículo importante para a divulgação de novos trabalhos, principalmente para a moçada mais nova'' diz.
Seu novo livro, convém ressaltar, guarda distância de sua atual produção literária, mais voltada para a prosa poética e para o diálogo do texto com as artes visuais. Não por acaso, escolheu um texto em prosa poética para fechar o volume, como se quisesse anunciar a transição. O novo caminho já foi registrado no livro ''Caleidoscópio'', seu título de estréia, publicado em 1995.
Está presente também em ''A Estalagem das Almas'', obra inédita desenvolvida nos últimos anos e que inclui imagens da fotógrafa Fernanda Magalhães amarrando os capítulos. ''Esse trabalho já teve alguns fragmentos publicados em revistas literárias e suplementos culturais do País. Já o enviei para diversas editoras com o propósito de publicá-lo, mas até hoje só recebi respostas negativas'' lamenta.
A conexão com as artes visuais intensificou-se com a montagem da instalação ''Impressões de Memória'', que consistia numa série de lençóis brancos estampados com textos (palavras, versos) e impressões de corpos. Montada há dois anos em parceria com Fernanda Magalhães, já itinerou por várias cidades da América Latina. ''Um dos trabalhos dessa série está prestes a participar de uma exposição em Santiago, no Chile'' conta.
Além das atividades artísticas, Karen atua profissionalmente como jornalista e docente de Comunicação. Atualmente, é doutoranda em Ciências Sociais na Unicamp. Seu objeto de estudo: os movimentos sociais na Internet.


SERVIÇO
- Lançamento do livro ''Guardados'', de Karen Debertólis. Hoje, às 19 horas, Casa de Cultura da UEL (Rua Mato Grosso, 537), em Londrina. Preço do livro: R$ 10,00. Postos de venda: Livraria Bom Livro (Catuaí Shopping Center, em Londrina), Livraria do Chaim (Curitiba), Centro Cultural Vergueiro e Espaço Unibanco (São Paulo) e Espaço Unibanco (Rio de Janeiro).

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