LANÇAMENTO - Poesia que brota como água
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
A arte de transmutar a dor em expressões de beleza e esperança dá a tônica
nas poesias de Cravina Cravo, que lança o livro ''Água Implícita'', nesta quarta-feira, a partir das 19 horas, na Livrarias Porto, em Londrina. Nascida em São Paulo, aos 3 anos se mudou para o interior da Bahia, estado que adotou no coração. Lá cresceu, estudou até à quarta série, se casou aos 15 anos e teve seis filhos. Aos 20 anos, se deparou com a morte pela primeira vez. Seu filho, de 4 anos, morreu afogado em um poço perto da casa onde moravam. Diante da intensidade da dor, viu que as flores sempre-viva típicas do cerrado baiano que levava para o velório do filho, também inspiravam nela o nome para a sua primeira poesia. ''Começei assim, e não parei mais. O ato de escrever poesia alivia a alma, nos ajuda a lidar com a dureza da vida, com o sofrimento que é inerente ao ser humano'', ressaltou.
Dona de um texto sucinto. Não usa de meias-palavras para exprimir as suas emoções. No poema ''Fim'' afirma: ''Você aniquilou, amordaçou, torturou, sufocou, enfim, assassinou, a minha solidão.'' Em ''Mistério'' declara: ''Os amores que eu tive não couberam em mim. Não sou do tamanho da medida que tem o amor.'' Diz que gosta de escrever de forma sintetizada para provocar a interação do leitor, ''deixar que ele crie suas próprias imagens e definições''.
O amor pela vida, pela natureza, pela água é evidente nas poesias de Cravina Cravo, na verdade Darci Marques, que escolheu duas flores que com frequência florescem no nordeste para criar o seu pseudônimo contrariando um típico ditado nordestino que diz que as duas flores não frutificam quando estão plantadas juntas. ''Água Implícita'' chama pelo despertar do homem para a brevidade da vida, dos recursos naturais, principalmente da água que é o ''princípio de tudo'' e bem ainda mais precioso no nordeste onde a seca tantas vezes tortura.
Perseverante, Cravina, como prefere ser chamada, aproveitou a oportunidade de voltar aos bancos escolares quando chegou a hora dos filhos estudarem. Desafiando o padrão cultural da época, não aceitou a idéia de que a mulher tinha que sempre estar em casa. Fez magistério e decidiu trabalhar. Outro conflito que acabou gerando a separação do marido, que mais tarde se tornou um grande amigo. Separada, o magistério, além de prazer, era a sobrevivência.
Depois de receber várias condecorações por suas poesias, no final do ano passado Cravina venceu o concurso de poesias promovido pelo Projeto Cultura e Arte do Banco Capital, na Bahia concurso de âmbito estadual com 123 concorrentes. Como prêmio, o lançamento do seu primeiro livro que reúne mais de 40 poesias de 25 anos de versos. Ela também declama poesias em bares e eventos sociais. Recentemente, abriu a festa de aniversário de um importante empresário da Bahia, antes que o Olodum e Nana Caymmi mostrassem a sua arte.
Feliz com o reconhecimento que chegou aos 58 anos, Cravina decidiu também lançar o seu primeiro livro em Londrina como forma de partilhar com a filha Alyn, que mora aqui, mais uma surpresa boa da vida. Na gaveta, mais dois livros estão prontos a espera de apoio para serem editados.
Serviço:
- Lançamento do livro ''Água Implícita'', que reúne poesias de Cravina Cravo. Quarta-feira, às 19 horas, na Livrarias Porto, no Shopping Catuaí. Preço do livro: R$ 25,00 (no lançamento, R$ 20,00).


