LANÇAMENTO - Para ler, tocar e cantar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de julho de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A genuína música caipira atrai fãs abnegados. O londrinense Renê Faria Filho, formado em Contabilidade pela UEL e com pós-gradução em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas, não se contentou em colecionar velhos discos de vinil das duplas sertanejas que escuta desde criança.
Tornou-se um estudioso diletante do cancioneiro de raiz. E agora, depois de três anos de pesquisa, está lançando o livro ''Memórias Sertanejas Vol.1'', que reúne 100 letras de clássicos do gênero acompanhadas de cifras para violão e viola. ''A idéia da publicação é perpetuar a música caipira, não deixá-la desaparecer'' diz.
A compilação começa com ''A Coisa tá Feia'', de Tião Carreiro & Pardinho, e termina com ''Viola Quebrada'', de Pena Branca & Xavantinho. Não faltam sucessos como ''O Menino da Porteira'', ''Meu Primeiro Amor'', ''Boate Azul'', ''Flor do Cafezal'' e ''O Cuitelinho''. O levantamento abrange canções da década de 20 aos anos 80.
''Selecionei músicas que marcaram época, que estão na memória do povo. São composições fáceis de interpretar e executar (algumas com apenas duas notas) e que tanto crianças quanto idosos podem cantar e tocar'' ressalta. Renê salienta que procurou preservar as expressões originais cantadas pelos violeiros. ''Muitas músicas foram regravadas com alterações, com o objetivo de corrigir eventuais erros de português. Eu mantive tudo como foi registrado nas primeiras gravações'' explica.
Didático, ele preocupou-se em incluir no final do volume um dicionário de vocábulos comuns ao universo retratado. Completou o livro com os apêndices ''Documentário'' e ''Dicas e Curiosidades'', nos quais embutiu respectivamente um pequeno histórico da música caipira brasileira e informações sobre compositores como Zé Fortuna (que fez dupla com seu irmão Pitanguira) e Lourival dos Santos (parceiro de Tião Carreiro no sucesso ''Pagode em Brasília'') e duplas como Raul Torres & Florêncio, Alvarenga & Ranchinho, Tonico & Tinoco, Cascatinha & Inhana e Nhô Belarmino & Nhá Gabriela.
Mazzaropi, José Ferraz de Almeida Jr. (retratista do famoso quadro ''Jeca Tatu''), o rádio, a televisão e os long-plays também ganharam espaço no texto. ''A música caipira e seu meio são muito ricos'' afirma. ''E essa herança passa de pai para filho, de geração para geração. Se um barzinho tem uma dupla sertaneja como atração, é inevitável o público pedir para eles cantarem as modas de viola antigas''.
O livro vem encadernado em espiral como um caderno e embalado numa caixa. Foi lançado na Exposição Agropecuária e Industrial de Maringá, em maio passado, e teve boa recepção dos visitantes. ''Montamos um estande com vitrola, radiola e discos de vinil. As pessoas entravam e ficavam muito contentes no ambiente'' conta. A tiragem inicial é de 500 exemplares.
Renê lembra que tentou viabilizar a publicação através do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, mas o projeto não foi aprovado. Assim, teve que bancar a edição do próprio bolso. Sua meta agora é que o livro seja adotado pela escolas, faculdades e universidades da região.
Serviço
- O livro ''Memórias Sertanejas Vol.1'', de Renê Faria Filho, está disponível no Armazém do Músico, Sonkey Video Som, Londrinssom, Long Play e Livrarias Acadêmica, em Londrina. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (43) 3325-3929 ou pelo site www.recantomusical.com.br.


