Curitiba - Um guerreiro dourado que segura uma espada poderia ser apenas uma estatueta. Mas é também o símbolo do maior prêmio de cinema do mundo, o único capaz de modificar a bilheteria de um filme. Agora a pequena escultura virou também objeto de análise. A estatueta utilizada pela primeira vez em 1929 é tema do livro ''Entre a estatueta do Oscar e o Oscar da estatueta'', que o fotógrafo Tom Lisboa lança hoje em Curitiba. A obra é a primeira da coleção Recém-Mestre, um projeto da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), que premia com a publicação as dissertações que obtiveram nota máxima na banca de defesa.
O trabalho apresentado ao Mestrado de Comunicação e Linguagem da UTP começou a ser produzido em 2001 e foi apresentado no ano passado. ''Foram dois anos de pesquisa e seis meses para escrever a obra'', diz Lisboa. Ele conta que escolheu o tema pela forte ligação do prêmio e da estatueta com a mídia, questão que aparece também no seu trabalho como artista. ''Quis mostrar como nosso olhar foi condicionado a ver coisas que não estão presentes no objeto original'', revela.
Para ele, por exemplo, a estatueta pode ser uma referência aos heróis dos filmes americanos ou aos judeus que fundaram os primeiros estúdios de Hollywood. ''Mas em princípio, o guerreiro da estatueta não representa nada'', diz o autor. O que ele ressalta, no entanto, é como a pequena escultura se transformou num símbolo mundial de recomendação.
No livro, Lisboa optou por não levar em conta o mérito da premiação. Aborda, porém, como a estatueta atua como espécie de selo de qualidade dos filmes, independente dos atributos dos mesmos. ''Eu deixei de lado a análise sobre o prêmio, mas pessoalmente acho difícil existir uma premiação que dê conta de toda a cinematografia mundial. Isso é quase imposssível'', argumenta.
Para Lisboa, o Oscar se transformou num rótulo semelhante a um produto massificado pela publicidade. ''Não quer dizer que seja verdadeiro ou falso, mas sim que a repetição faz com que o produto seja aceito'', diz. O autor salienta ainda que o cerimônia do Oscar é a única transmitida no mundo inteiro, numa mesma data, premiando filmes que o público já viu, o que aumenta a participação e o interesse da população. ''Além disso, existe também o fascínio que as estrelas exercem sobre as pessoas'', complementa.
Esse fascínio é exemplificado pelo fotógrago com a cerimônia que comemorou 75 anos da premiação. ''A organização colocou 75 atores e atrizes no palco. Não tinha nenhum diretor ou roteirista'', lembra. A estatueta do Oscar e o Oscar da Estatueta'' tem cinco capítulos além de anexos que mostram os filmes ganhadores do Oscar; uma amostra da taxa de ocupação de tela dos filmes americanos, além dos países que receberam transmissão ao vivo da cerimônia no ano passado.
A obra traz ainda dois apêndices que registram o reflexo que a imagem do Oscar representa na sociedade brasileira. O primeiro é uma listagem de 74 exemplos que fazem referência a um determinado tipo de ''Oscar'', como o ''Oscar da televisão americana (Emmy) e o Oscar Brasileiro (Prêmio BR de Cinema), e títulos curiosos, como o ''Oscar das Panificadoras'' ou o ''Oscar da Pecuária''. O segundo apêndice mostra réplicas da estatueta em eventos nacionais que nem sempre estão ligados ao cinema.
Este é o primeiro livro do fotógrafo, que desenvolve um trabalho multimídia. O seu próximo trabalho, ainda em fase de produção, é reunir em livro as fotografias do espetáculo ''O Grande Círco Místico'' apresentado pelo Balé Guaíra entre 2002 e 2003.

Serviço:
- Lançamento do livro ''Entre a Estatueta do Oscar e o Oscar da Estatueta'' (202 páginas, R$ 20,00) hoje, às 19h30 nas Livrarias Curitiba Megastore do ParkShopping Barigui, em Curitiba. O livro pode ser encomendado também pelo site www.livrariascuritiba.com

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