LANÇAMENTO - Namoro embalado nas danceterias
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de outubro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quando saem para dançar, os homens encaram mais a possibilidade de encontrar um novo amor do que as mulheres. Elas remetem às visitas a uma danceteria ao puro prazer de dançar e a maioria prefere parceiros com pouca conversa mas que se sejam ótimos dançarinos. Esse foi o perfil encontrado em Curitiba depois de um pesquisa realizada em boates, restaurantes dançantes e sociedades recreativas com 400 frequentadores (200 homens e 200 mulheres). Realizada entre 1998 e 2001, pela advogada e escritora Noely Manfredini, a pesquisa se transformou no livro ''Dançarinos e Dançatrizes - Estilo Moda e Atitude'', recém-lançado pela Editora Artes & Textos.
Escrito em parceria com Rodrigo Almeida, filho de Noely, e Antonio Luiz Nocera, o livro traça um paralelo entre o perfil encontrado em habituais frequentadores de danceterias e situações típicas do reino animal. A idéia de produzir o livro ocorreu de uma situação insólita. Acostumada a escrever livros jurídicos (a autora já publicou 17), Noely esboçou uma pesquisa comportamental em dança em meados da década de 90, para incluir na obra ''Legislação eleitoral para iniciantes: a dança'' (Juruá, 1997), onde abordava situações da dança eleitoral comum entre os partidos. Acabou gostando da realidade que encontrou nas danceterias curitibanas e decidiu pesquisar o tema com mais profundidade.
Foi quando passou a visitar, com o intuito de conhecer o perfil dos frequentadores, seis casas noturnas de Curitiba e descobriu situações curiosas. Encontrou, por exemplo, homens e mulheres dispostos a iniciar um namoro nas danceterias, mas com a consciência de que são remotas as chances de encontrar um parceiro permanente nesses locais. Pelo menos é o que acredita a maioria das mulheres entrevistadas.
A pesquisa abordou homens e mulheres acima de 25 anos e com perfil sócio-econômico diferenciado. As conclusões muitas vezes surpreendem por não condizer com a realidade. O trabalho mostrou, por exemplo, que cheiros fortes de perfume não são bem vistos por nenhum dos sexos, embora seja comum encontrar homens e mulheres excentricamente perfumados na noite curitibana. Mas a pesquisa concluiu que ''o cheiro do parceiro preferencialmente adotado é do tipo suave''. De acordo com o livro, apenas dez homens deram preferência ao perfume forte e sensual, o mesmo número de entrevistados que preferem mulheres sexys e exuberantes como parceiras de dança.
As respostas quando o assunto é ''cheiro'', no entanto, não permitem uma conclusão precipitada. Ou seja, não adianta ler a pesquisa e sair por aí ''in natura'' achando que vai encontrar o parceiro ideal. Apenas 15 pessoas, entre homens e mulheres, desejam dançar com parceiros sem nenhum cheiro perfurmado.
Outra curiosidade é que os homens já estão mais acostumados à mudança de comportamente feminino e já não se sentem constrangidos quando tirados para dançar. ''Esse constrangimento só foi verificado nas faixa-etárias maiores'', conta a autora. A maioria dos homens entrevistados, porém, respondeu que ''acha bom e natural'' ser convidado para dançar.
Quanto às mulheres, questionadas sobre como se sentem caso não sejam convidadas, a maioria respondeu que ''não causa nenhum desconforto, mas que revisam as possíveis causas para modificar as atitudes''. Nenhuma das entrevistadas respondeu que se sentem frustadas ao final de uma noite de dança que não tenha sido tirada para dançar por alguém.
A pesquisa também mostra que beleza física não aparece como quesito principal na hora de escolher o parceiro para nenhuma das pessoas entrevistadas, seja homem ou mulher. ''Mas as mulheres parece que ainda não descobriram isso'', sugere a autora, no livro.
Em ''Dançarinos e Dançatrizes'', além de conhecer o comportamento dos habituais frequentadores de casas dançantes curitibanas, o leitor também vai encontrar situações curiosas (e fictícias) inspiradas nos animais. A pesquisa é permeada por crônicas que mostram o comportamento de animais como sapos, hipopótamos e chimpanzés.
O livro foi produzido com apoio da Lei Rouanet, lei federal de incentivo à cultura, e Fundação Cultural de Curitiba. Lançado na semana passada, o livro pode ser encontrado nas Livrarias Curitiba.


