Quando se afirma que o céu é o limite esse também pode ser o desfecho de uma luta, que parece sem fim no Brasil: a disputa pela terra. Ironicamente, a afirmação também poderia ser tomada como uma metáfora se enfileirarmos as mortes relacionadas à batalha no campo.
Porém, no ponto de vista do jornalista Nelson Ramos Barretto, que atua no Distrito Federal (DF), autor do livro ''A Revolução Quilombola - Guerra Racial Confisco Agrário e Urbano Coletivismo'' (Editora Artpress), o céu é o limite ao representar, o que considera uma grande enganação do governo em relação ao decreto de 2003, que modifica o artigo 68 das disposições transitórias da Constituição Federal sobre os quilombolas, descendentes dos remanescentes de quilombos no Brasil.
''Com as mudanças será reconhecido como quilombolas os remanescentes que ocupam a terra com o título de quilombola. Só que o decreto do Lula diz que os que se intitularem quilombolas podem se estabelecer na terra'', comenta Barretto, destacando que antes do decreto existiam 50 comunidades quilombolas e que o número aumentou para pelo menos 5 mil, cobrindo uma área de 30 milhões de hectares.
O autor diz que o decreto é uma espécie de reforma agrária paralela, que passaria por cima da escritura de propriedades produtivas. ''Não são apenas propriedades rurais, mas também urbanas. No Rio de Janeiro, na região portuária, tem uma situação que exemplifica isso. Em São Mateus, no norte do Espírito Santo, outra área quilombola representa 80% do município'', acrescenta o jornalista.
Para definir os remanescentes quilombolas é preciso fazer uma pesquisa antropológica, entre outros estudos, que o autor do livro questiona ao afirmar que estão generalizando o processo. ''Um segundo ponto é que essas pessoas estão sendo enganadas e, por isso, alguns negros estão se voltando contra o decreto, que os obriga quase a voltar à escravidão. Os negros não querem viver em comunidades, como se fossem comunidades comunistas. A alternativa é que se reconheça o título de propriedade individual dos remanescentes e não cabe desapropriação de terras produtivas'', conclui Barretto.

SERVIÇO:
- Livro A Revolução Quilombola - Guerra Racial Confisco Agrário e Urbano Coletivismo, de Nelson Ramos Barretto, Editora Artpress, 119 pág.) Preço: R$ 15,00

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