LANÇAMENTO - Imagens do fandango
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - No começo dos anos 80, o fotógrafo Carlos Zanello de Aguiar, mais conhecido como Macaxeira, começou a frequentar o litoral do Estado e conheceu uma manifestação artística genuinamente paranaense: o fandango. Nessa mesma época, ele já encarava a fotografia como uma profissão e mesmo nos momentos de lazer não deixava o equipamento fotográfico de lado. Foi então que o fotógrafo começou, despretensiosamente, a reunir o que seria um gigantesco acervo de imagens do fandango do Paraná.
E o que iniciou sem pretensão, se transformou em um belo livro de fotos e histórias sobre o tema. A obra ''Fandango do Paraná: Olhares'' (134 páginas, R$ 35,00), traz mais de uma centena de fotografias clicadas por Macaxeira além de textos, traduzidos também para o inglês, do escritor Edival Perrini.
O fotógrafo revela que o que o atraiu nessa temática foi a simplicidade das pessoas envolvidas e a arte de fazer os instrumentos do fandango. Por isso ele teve o cuidado de registrar todos os momentos dessa arte, desde daqueles que retratam a manifestação em si, como as danças e as músicas (no livro, também estão reproduzidas várias letras do fandango), até o processo de corte da madeira para fazer os instrumentos.
''Eu não tenho idéia da quantidade desse material, mas sei que tenho muita coisa'', conta Macaxeira. Afinal, são mais de duas décadas de registro. De todo esse acervo, ele selecionou 162 fotografias para integrar o livro. As imagens começaram a ser selecionadas há cerca de cinco anos, quando o projeto foi aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. ''O critério foi a informação da imagem e a qualidade estética'', diz. As fotografias foram escolhidas com a ajuda de Perrini, que é primo de Macaxeira. ''Eu gosto muito de unir a fotografia com outras áreas, como a poesia. Já tinha feito um ensaio de fotos e poemas do Perrini e como eu não queria que o texto do livro fosse acadêmico, o chamei para escrever os textos'', salienta.
Perrini pesquisou a literatura a respeito, mas também contou a experiência de Macaxeira para escrever os textos. Na seleção das fotos, por exemplo, Macaxeira narrava a história de cada uma, situações que aparecem no livro. Mas a obra também é carregada de história. Segundo conta Perrini nos textos, por exemplo, o fandango tem origens controversas. Países como a Espanha e Portugal são apontados como berço dessa manifestação.
''O fandango encontrou terra fértil para se desenvolver no litoral do Paraná. A proximidade com o mar, o coração melancólico do caiçara, e a diversa e profusa fauna e flora da região deram o tempero que o fandango, este determinado viajante dos mares do mundo, precisava para se fixar. E tanto criou raízes que se tornou festa típica dos caboclos e pescadores da região'', descorre Perrini no livro.
Além de imagens primorosas ''Fandango do Paraná: Olhares'' traz um projeto gráfico delicado e bem resolvido, com interferências gráficas que fogem ao lugar comum. O livro também reproduz algumas letras escritas à mão pelos fandangueiros paranaenses, dadas para Macaxeira durante sua pesquisa. E, conforme resume Perrini, ''talvez o olhar sobre os nossos olhares possa servir de alavanca para que mais pessoas sintam orgulho de suas raízes e busquem o prazer de preservá-las''. O livro é um convite à essa preservação.


