LANÇAMENTO - História passada a limpo
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quarta-feira, 02 de outubro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Pesquisar livros sobre a História do Paraná pode ser uma tarefa frustrante. A maioria dos volumes existentes são escritos em linguagem acadêmica e dotados de abordagens fragmentadas.
A constatação é de Lucinéia Cunha Steca e Mariléia Dias Flores, professoras da Rede Estadual de Ensino, que estão lançando o livro ''História do Paraná Do século XVI à década de 1950'' pela editora da UEL. A sessão de autógrafos será hoje, a partir de 20 horas, na Biblioteca Pública de Londrina.
O livro é didático, útil para ser manuseado em salas de aula no Ensino Fundamental e Médio e panorâmico o suficiente para interessar a todos os que queiram saber mais sobre a participação do Paraná na história e na economia mundial. ''Ele não é resultado de tese nem de monografia'' avisam as autoras.
''É um livro de fácil leitura. Nosso objetivo foi sistematizar as informações que estavam dispersas por aí. Sempre que debruçamos sobre esse conteúdo, notamos que os volumes já publicados contavam a história do pioneiro, traziam o relato de episódios específicos ou continham biografias. Não havia um título apresentando em linguagem acessível uma visão de conjunto. Por isso, decidimos conceber esse projeto''.
Além da consulta bibliográfica, as autoras percorreram algumas cidades do Estado para coletar material de pesquisa. Numa das passagens do volume, elas lembram como personalidades ilustres foram vítimas do domínio argentino em terras brasileiras no início do século 20. Recapitulam a circunstância em que Santos Dumont visitou as Cataratas do Iguaçu, em 1916, tendo que chegar ao local pelo lado argentino, já que pelo lado brasileiro não se podia entrar devido tratar-se de propriedade particular de Dom Jesus Val, um uruguaio que residia há muito tempo na Argentina.
O pai da aviação teve que submeter-se a uma penosa viagem de carro, carruagem e até lombo de burro para ir à Curitiba demonstrar sua indignação ao Presidente da Província. ''Em consequência, tornou-se público o lote em que se encontravam as Quedas do Iguaçu, o que deu origem ao futuro Parque Nacional do Iguaçu'' escrevem elas. Lucinéia salienta a importância de se pensar a temática regional em tempos de globalização.
''O que vemos na globalização não é somente a sua aplicação econômica, mas econômica-cultural, com a importação de costumes diz. ''A história regional é que confere indentidade a um povo. Daí a sua importância e a necessidade de inserí-la no contexto, como forma de preservar a herança cultural que recebemos''. Ela sublinha ainda que tal conhecimento leva o aluno a refletir sobre o seu papel no mundo.
''O Paraná participou de inúmeros episódios que influenciaram o país. Isso mostra ao estudante que ele pode ser um construtor da História'' observa. A história do Estado contada no livro começa no final do século XVI e desemboca na década de 50 do século passado. A abordagem por regiões delimita o território em seis grandes zonas geográficas: o Paraná tradicional; região de Guarapuava; região sudoeste (estudando também a região sul); região oeste; região norte (Norte Pioneiro, Norte Novo e Norte Novíssimo); e região de Campo Mourão. O livro é ilustrado com fotos e ilustrações. Tem 250 páginas e estará à venda a R$ 24,00.


