LANÇAMENTO - Fuentes contra Bush
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de outubro de 2004
Ubiratan Brasil<br> Agência Estado 
O primeiro artigo foi escrito em agosto de 2000, quando George W. Bush foi escolhido candidato do Partido Republicano para a eleição que substituiria Bill Clinton na Presidência dos EUA. E o último, com o título de ''Epílogo Provisório'', foi produzido no último 14 de junho, momento em que Bush inicia a briga pela reeleição contra o democrata John Kerry. Entre um artigo e outro, o escritor mexicano Carlos Fuentes acompanhou com uma lupa todos os controvertidos passos do presidente americano, reunindo reflexões que, tal qual um diário, formam o livro ''Contra Bush'' (172 páginas), que a editora Rocco acaba de lançar no Brasil.
Trata-se de um conjunto de respostas a acontecimentos vivos. Ex-embaixador de seu país na França, Fuentes fala de acertos e erros, inclusões e omissões, juízos e prejuízos, incidentes e acidentes para concluir que Bush ocupa o cargo de presidente mais nefasto da história dos Estados Unidos. Êmulo literário do cineasta Michael Moore, Fuentes aproveitou o lançamento em Barcelona para lembrar que ''Bush representa um perigo por sua ignorância'', além de ser adepto de uma nova ideologia classificada como marxismo-darwinismo, em que impera a supremacia da economia e na qual só o mais forte sobrevive. E, antes de dar o ponto final em sua entrevista, o escritor mexicano arrematou de forma impactante, afirmando que ''Bush gostaria de ser um gênio do mal como foram Hitler e Stalin''.
Fuentes já alertava sobre os problemas antes mesmo de Bush ser eleito. No primeiro artigo do livro, ''Política com 'P' de Petróleo'', ele mostra como Bush e o então candidato a vice, Dick Cheney, mantinham um estreito relacionamento com a companhia petrolífera Halliburton e todo seu emaranhado interesse econômico global. Revela-se temeroso também com as inclinações ideológicas de Bush, baseadas na extrema direita fundamentalista.
Em artigos sucessivos, Fuentes relaciona todos os passos errados do mandatário americano. A queda das torres gêmeas em Nova York e a consequente guerra contra o Iraque só aumentaram a decomposição política sofrida pelo governo americano, que ignorou tanto o Conselho de Segurança da ONU como os apelos mundiais, criando uma expectativa negativa para as eleições de 2 de novembro.


