LANÇAMENTO - Eterno romântico
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de dezembro de 2005
Marcos Sergio Silva<br> Folhapress 
Apesar de abandonar o velho tênis e a calça desbotada, Roberto Carlos ainda chama de querida a amada. É essa a tônica do disco que acabou de chegar às lojas, batizado - pela 34 vez em 40 anos de carreira - apenas com o nome do Rei.
O Roberto que aos poucos muda o visual não deixa nunca de falar da mulher Maria Rita, morta em 1999. A relação com o amor perdido está nas nove gravações do novo disco - mesmo em faixas concebidas antes de o cantor encontrar a amada. ''(Maria Rita) é a maior visão de amor que encontrei na minha vida'', diz o Rei, ao justificar as referências. E elas estão por toda parte: da abertura com ''Promessa'', música dele com Erasmo que só era conhecida na voz de Wanderley Cardoso, até ''Loving You'', famosa na interpretação de outro rei, Elvis Presley.
Com o auto-intitulado álbum, Roberto chega também ao quinto ano consecutivo sem um trabalho só com músicas inéditas - neste, restou ''Arrasta uma Cadeira'', composição que ficou na ''gaveta'' 14 anos até ganhar registro com a participação de Chitãozinho & Xororó. ''De vez em quando eles (a dupla) me ligavam cobrando a música'', disse, rindo.
Mas o cantor justifica o pouco empenho em compor novas canções dizendo que ''não era a proposta'' deste disco, inicialmente planejado para 2000 - as duas músicas que restaram desse período foram ''Índia'' e ''Coração Sertanejo''. ''A idéia era escolher músicas que nunca tinha gravado em um disco mais movimentado, mais dinâmico. Quando voltei a esse disco (depois de gravar três álbuns no período), comecei a escolher músicas já gravadas'', diz.
Roberto, assumidamente portador de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), diz que as regravações nada têm a ver com suas manias. Mas, no meio desse tratado ''country-pop'', como gosta de definir o disco, sobraram versões até de músicas gravadas do repertório recente, como ''Amor É Mais'', de 2000, e ''O Baile da Fazenda'', de 1998. ''Achei que ''Amor É Mais' precisaria de um pouco mais de ritmo, e ''Baile da Fazenda', um arranjo mais country.''
Regravar, confessa Roberto, nada tem a ver com o que ele já produziu em seus 45 anos de carreira. ''Neste disco, saio pouco do meu estilo'', afirmou ao apresentar o novo álbum. Assim, parece que a mania de novas versões felizmente não vai durar.


