LANÇAMENTO - DVD traz a série ''Malu Mulher''
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segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Ubiratan Brasil<br> Agência Estado 
No fim da década de 1970, quando Regina Duarte lutava para se desvencilhar da imagem de ''namoradinha do Brasil'', José Bonifácio Sobrinho, o Boni, então diretor artístico da Rede Globo, percebeu que o processo de redemocratização do País poderia ser o momento ideal para o surgimento de um programa moderno e inovador. Em 1979, surgiu, então, o seriado ''Malu Mulher'', em que Regina vivia uma socióloga desquitada e com liberdade para falar de temas considerados tabus como aborto e orgasmo. Além disso, defendia a bandeira do feminismo, a liberdade de credo e idéias políticas. É o que o espectador do novo milênio pode observar a partir de hoje, quando chega às lojas o DVD duplo de ''Malu Mulher'' (Som Livre, R$ 40).
Na verdade, o personagem nasceu tradicional, sem nenhuma característica polêmica. Foi a sintonia de Boni com a realidade que provocou um redirecionamento no projeto, fazendo com que cinco programas já gravados fossem esquecidos. Assim, de operária de uma fábrica de papéis, Malu tornou-se uma socióloga desquitada, que luta para criar sozinha a filha adolescente, papel que revelou Narjara Turetta.
O DVD traz episódios selecionados por Dennis Carvalho que, além de dirigir o seriado, interpretava Pedro, ex-marido de Malu. Na verdade, tratava-se do antagonista, o que gerou um desconforto do público masculino - Pedro não se preocupava com os anseios da ex-mulher, temendo apenas que ela pedisse aumento da pensão.
Sob a perspectiva atual, Malu Mulher representa uma passagem na evolução dos costumes femininos e não a representação de uma conquista plena. Afinal, a socióloga (personagem, aliás, inspirada em Ruth Cardoso) acredita que a presença do homem em casa é essencial. Mesmo assim, o seriado tocou em temas tabus, que incomodaram até a censura: Euclydes Marinho, um dos autores dos episódios, chegou a ser convocado a Brasília para explicar o episódio em que Malu recebia uma cantada de outra mulher. O seriado, que durou dois anos, deu novo rumo para a carreira de Regina Duarte, promovida a porta-voz da mulher brasileira moderna.


