A obra do inglês Donald Winnicott (1896-1971), que introduziu conceitos e intervenções da psicanálise na pediatria, desperta cada vez mais interesse entre os pesquisadores brasileiros. Foi lançado há pouco o livro ''Winnicott - Seminários Brasileiros'' (Editora Revinter), que compila 54 artigos de profissionais de psiquiatria e psicanálise de várias partes do Brasil e também do exterior. A obra foi organizada por José Outeiral, Sueli Hisada, Rita Gabriades e Afrânio Ferreira.
Desde 1995, são difundidos no país seminários e grupos de estudo em que são analisadas as contribuições do pediatra e psicanalista inglês. Londrina é um dos pólos deste trabalho, com um grupo de estudos sobre Winnicott em atividade. ''Ele trabalhava a saúde mental de forma preventiva e citou que o pediatra deveria se interessar muito mais pela psicanálise'', explica Mirian Elizabeth Perandréa Dorta, professora do Departamento de Psicologia e Psicanálise da Universidade Estadual de Londrina (UEL), coordenadora do grupo de estudos sobre Winnicot da cidade e que contribui no livro recém lançado com um artigo.
Outras quatro pesquisadoras de Londrina tiveram textos incluídos na obra: Carla Maria Lima Braga, Maria Elizabeth Barreto de Pinho Tavares, Lucia Helena Tiosso Moretti, professoras da UEL, e Denise Regina Disaró Carlesso, do Hospital Universitário. Mirian considera que a obra de Winnicott pode ser uma referência também para os leigos, na medida em que aborda conceitos relativos ao desenvolvimento da criança e do adolescente: a atenção materna, a dosagem das frustrações em experiências de vida, a importância da proximidade da família até a maturidade.
''Em meu artigo, explico que a agressividade não é sinônimo de destruição. Caso seja bem canalizada pela família, ela pode se tornar algo construtivo: todo empreendedor sabe utilizar a agressividade sem que isso represente um comportamento nocivo'', comenta a professora. Mais informações sobre o livro podem ser obtidas no site www.revinter.com.br.

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