Curitiba - Ela não usa chapéu, nem mora numa casa repleta de teias de aranha. O caldeirão, vassouras e outros acessórios semelhantes que possui são usados apenas simbolicamente para evocar energias positivas. A curitibana Jussara KO. Topolski é uma bruxa do bem. Há 14 anos, decidiu sair de Curitiba em busca de um local mais apropriado para suas ''bruxarias''. Escolheu a ilha de Florianópolis, em Santa Catarina, pelos antecedentes do local, uma região povoada antigamente por bruxas açorianas, como acreditam algumas pessoas. Para quem não entende nada de bruxaria, é bom saber que essa é uma modalidade diferente do que ensina a maioria das culturas. E Jussara explica esses conceitos no livro ''Segredos da Bruxa - Livro de Consultas'' (111 pág., editora Rocha, R$ 25,00), lançado no último dia 5, nas Livrarias Curitiba, na capital parananese.
Agora Jussara dá início à agenda de lançamentos da obra por diversos estados brasileiros. O conteúdo do livro, editado em papel reciclado, é resultado de quase duas décadas de pesquisas sobre o tema e é calcado na sabedoria popular. No livro estão reunidos alguns símbolos que são inerentes às bruxas e seus rituais. ''Eu pesquisei a origem desses rituais dentro do conceito de bruxa, que vem do sânscrito e significa 'mulher sábia ou sabedoria feminina'. E isso nada tem a ver com a bruxa dos contos de fadas ou com uma mulher má e feia'', conta.
Desde que adotou a capital catarinense para morar, a bruxa Jussara se debruçou nas lendas e na história local e desenvolveu sua pesquisa com base nessas histórias. ''As bruxas da ilha aliavam as tradições das curandeiras européias aos rituais indígenas e africanos'', conta. O resultado é um livro de consultas, que não precisa ser lido continuamente, do começo ao fim. São 41 símbolos bruxólicos aliados à rituais sugeridos pela bruxa. ''É para se transformar num livro de cabeceira e ser aberto sempre que necessário'', diz.
A obra traz significados de símbolos que acompanham as histórias de bruxa, mas que têm o seu valor agregado a conceitos benéficos. O caldeirão, por exemplo, não serve para fazer poções mágicas ou para transformar príncipes em sapos, mas para movimentar o destino de quem o utiliza. ''Serve também para lembrar que cada um tem o poder de fazer a sua escolha'', ensina a bruxa Jussara.
Artista plástica, ela assumiu o título de bruxa depois que foi morar em Santa Catarina, mas desde criança se considera uma pessoa bastante sensível ao tema. O currículo da Bruxa do Bem, como Jussara é chamada, inclui psicografias, pictografias e um extenuante mergulho autodidata na sabedoria das religiões, crenças, mitos e lendas. Como resultado de toda essa experiência, Jussara hoje joga tarot, cria rituais para eventos e dá consultoria em Feng Shui, Florais de Bach, Numerologia e Reiki. Em Florianópolis, onde mora, ela também apresenta o quadro ''Espaço Místico'' na rádio CBN e na TV PAM - sintonizada no canal 17 da TVA - e o programa Tricotando, exibido pela TV Barriga Verde. Também é colunista do jornal ''Hora'' e ''Oi São José'', ambos de Santa Catarina.
''Ser bruxa é como ser uma pessoa pura, mas a história desvirtuou essa nomenclatura'', considera. Para ela, as pessoas confundem esse conceito. ''Quando digo que sou bruxa, todo mundo espera aquele estereótipo dos contos de fada, mas isso não existe'', diz Jussara que também afasta a semelhança com as wikkas, um tipo de bruxa que ganhou fama nos últimos anos. ''Meu comportamento é normal. Não sigo moda, gosto de me sentir bem. Já meus acessórios bruxólicos são utilizados apenas quando faço meus rituais de bruxaria'', diz.
''Segredos da Bruxa'' é o primeiro livro da autora, que já prepara novos projetos. Ela está escrevendo um livro sobre orixás e outro com simpatias. ''Mas esse último apenas como curiosidade'', adianta. Nada parecido com um manual de bruxaria moderna. A previsão de lançamento é para o ano que vem.

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