LANÇAMENTO - Asterix em guerra sideral
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de outubro de 2005
Gilles Lapouge<br> Agência Estado 
Paris - Asterix vem aí. O 33º álbum de Asterix, isto é, do pequeno gaulês (ancestral dos franceses) turrão, ardiloso, intratável, que em 44 anos conseguiu conquistar o mundo todo, saiu na semana passada na França. O primeiro volume, Asterix, o Gaulês foi publicado em 1961. Depois, Asterix multiplicou as brigas, as façanhas, as sedições e foi traduzido em 103 idiomas. Ele já vendeu 120 milhões de álbuns.
Para uma edição francesa, trata-se de um recorde. Na Europa, Asterix rivaliza com o best seller do século, o livro inglês de Harry Potter. Para o sexto volume de Harry Potter, lançado no início deste mês, sua editora francesa (Gallimard) colocou 2 milhões de exemplares nas livrarias da França. Hoje, na França, Asterix supera Harry Potter: 3 milhões do novo Asterix, ''Le Ciel Lui Tombe sur la Tête'' (''O Dia em Que o Céu Caiu'', que sai em novembro no Brasil, pela Record), estão sendo distribuídos nos territórios francófonos. No total, os editores esperam vender 8 milhões de Asterix na Europa.
Em seus primeiros álbuns, Asterix era uma ilustração do ''francês'' e, sobretudo, do ''francês rural'', brigão, sempre do contra, revoltado, minúsculo no fundo de sua floresta gaulesa, e que enfrentava o grande império dos romanos. A resistência gaulesa era feroz, repousando tanto na habilidade dos chefes com na coragem dos gauleses e também no recurso às velhas magias primitivas. Os gauleses tinham à sua disposição uma arma terrível, uma espécie de ''arma de destruição em massa'', a ''poção mágica'' que decuplica as forças de quem a bebe. Quanto às tropas, seu valor era simbolizado pela associação do minúsculo Asterix, esperto e heróico, com o colosso Obelix.
Depois, nos álbuns seguintes, Asterix enfrentou outros perigos, conheceu outras civilizações. Podem-se se citar, entre outros, ''Asterix chez Rahazade'' (Asterix adora os jogos de palavra: em francês, chez significa na casa de, na terra de, etc.), ''A Rosa e o Gládio'', ''Asterix e Obelix contra César'', ''Missão Cleópatra'', ''Asterix e os Normandos''. Assim, Asterix mudou aos poucos de status à medida que suas aventuras saíam do âmbito francês e, sobretudo, que seus leitores fanáticos se alastravam para os mais longínquos países. Asterix se tornou um mito.
Neste 33º álbum, realizado exclusivamente por Albert Uderzo, pois seu parceiro de primeira hora, René Goscinny, já morreu, a aldeia gaulesa foi totalmente paralisada por um mal misterioso. É que um disco-voador passou por lá e transformou os gauleses em estátuas. Seguem-se lances teatrais e, por fim, uma guerra sideral entre os gentis (''os toons'') e os mercadores (''os Mangas''), as duas facções atrás da famosa ''poção mágica''.
Ali se encontram os personagens familiares da saga Asterix: Chatotorix, os javalis, Ideiafix, os piratas, alguns caolhos e outros com pernas-de-pau. A esse pequeno grupo familiar se juntam os desconhecidos, aquela gente vinda das galáxias, como Goldorak e o Super-Homem, o que justifica o título ''O Dia em Que o Céu Caiu''.
Asterix se tornou o centro de uma série de produtos derivados - roupas, chapéus, etc - mas também de um parque temático no estilo Disney, sete longas de animação e dois filmes de longa-metragem normais. E como o apetite dos leitores jamais se sacia por completo, Uderzo já trabalha no 34º álbum. Um novo longa de animação está sendo preparado: ''Asterix e os Vikings''. E um longa vai sair em breve: ''Asterix nos Jogos Olímpicos'', com elenco de luxo: Júlio César será Alain Delon; Gerard Depardieu reencontrará seu personagem habitual, Obelix. Sobre o ator que terá o papel de Asterix, mistério.


