LANÇAMENTO - Arte sobre as rochas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de maio de 2004
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A arte em céu aberto é agora exibida nas páginas de um livro intitulado ''Arte Rupestre - A História que a Rocha não Deixou Apagar'', do artista plástico João Nei de Almeida Barbosa. Segundo o autor, o livro, lançado no último sábado, reúne imagens da arte rupestre no Paraná, e ajuda o leitor a penetrar nos esconderijos das cavernas onde o homem paleolítico criou e perpetuou na rocha as imagens da vida, dos sonhos e da morte; o início do processo do primeiro estágio do homem moderno.
João Nei fez os primeiros contatos visitando municípios paranaenses que contêm inscrições rupestres e mapeando os lugares a serem pesquisados e transpostos para o livro. ''Depois voltei nesses lugares com a minha equipe (fotógrafo e geóloga) e registramos as primeiras imagens'', conta o autor. Foram diversas visitas consecutivas para pesquisas e captação de imagens. João Nei também realizou pesquisas bibliográficas e entrevistou arqueólogos, para ter embasamento para poder discorrer sobre o assunto, tão complexo, segundo ele.
A maioria das imagens e pesquisas foi realizada na região dos Campos Gerais, nos municípios de Ponta Grossa, Piraí do Sul, Jaguariaíva, Sengés e Tibagi. ''Na investigação sobre a gênese da arte, encontramos similaridades em culturas que se distanciam tanto cronológica quanto geograficamente. São elementos que perduraram por mais de 20 mil anos'', conta.
O livro traz um capítulo informativo, uma espécie de registro documental; outro reflexivo, onde o autor analisa a mitologia; e também capítulos que abordam a história desses povos no Paraná, a pré-história brasileira e dos povos e as tradições na região central do Paraná.
Segundo João Nei, há uma hipótese de que o material utilizado pelos pré-históricos seja uma mistura de resina vegetal, gordura animal, água, sangue animal e pigmento in natura. ''Também devem ter sido utilizadas rochas como a hematita alterada ou em estado ferruginoso, pois a fixação dos desenhos, praticamente expostos ao ar livre, é inimaginável. Trata-se de uma composição química extensa.''
''O que é mais interessante nisso tudo, é a enigmática maneira do homem de se expressar, de expressar o mundo que ele via, seus sentimentos, suas angústias, seus sonhos, a caça, e, principalmente, sua relação com a espiritualidade, nata'', define o autor.
Serviço:
- ''Arte Rupestre - A História que a Rocha não Deixou Apagar'', de João Nei de Almeida Barbosa. Patrocínio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba. O livro está à vendida na Livraria Arcádia (Rua Treze de Maio, 611). R$ 30,00.


