Curitiba - A obra se tornou uma espécie de ícone da literatura, mas não foi apenas por ela foi também pela dedicação ao livro que o escritor Paulo Leminski ficou conhecido. Ele levou oito anos para concluir ''Catatau'', uma obra repleta de referências literárias e culturais, com uma narrativa capaz de confundir muita gente. São poucos, aliás, os que conseguiram chegar ao fim do único romance escrito pelo poeta. O livro ganha agora 30 anos depois do seu lançamento uma edição comentada. A nova edição, da Travessa dos Editores, será lançada hoje no Teatro Paiol, em Curitiba, com uma programação artística em homenagem ao poeta. Se estivesse vivo, Leminski completaria hoje, 60 anos.
A edição crítica de ''Catatau'' tem comentários de uma equipe de pesquisadores coordenada pela doutora em literatura Martha Morais da Costa. Confeccionada em capa dura, sobrecapa e ensaio fotográfico, a nova edição traz ainda texto (na orelha) do poeta e semiólogo Décio Pignatari. Foi dele, aliás, a iniciativa de lançar o material. Pignatari começou a desenhar o projeto na Fundação Cultural de Curitiba, no papel de consultor de literatura do órgão. Mas foi a Travessa dos Editores que assumiu o lançamento.
Flávia Rocha, uma das editoras da Travessa salienta a importância da iniciativa. ''O livro é uma referência no contexto literário pós-moderno. O romance conseguiu atingir um grau de importância ímpar e acho que essa nova edição consegue entrar no coração da obra'', diz.
Paulo Leminski (1944-1989) escreveu cerca de 20 livros, além de traduções e composições musicais. Era um artista completo. Mas ''Catatau'' foi, sem dúvida, seu trabalho de maior devoção. Na biografia dedicada ao poeta (''O homem que sabia latim'', do jornalista Toninho Vaz), o autor conta em detalhes como Leminski vagava pelas ruas de Curitiba com o ''catatau'' de páginas do que seria o seu ''romance-idéia'', como o próprio artista o intitulava. Daí veio o nome do livro.
É muito difícil resumir do que se trata a obra. O poeta Maurício Arruda Mendonça em um ensaio sobre ''Catatau'' tentou: ''é uma intrincada tessitura de sentidos que entrelaça história, filosofia, ciência e literatura, discutindo as imagens do pensamento dos séculos 14, 15 e 17 de modo elegante e sofisticado''.
No livro, Renatus Cartesius é a representação de René Descartes. Ao visitar o Brasil como participante de uma comitiva de sábios e artistas convidada pelo conde Maurício de Nassau, senta debaixo de uma árvore no Jardim Botânico de Nassau, no Recife, e busca aplicar o conceito do ''Penso, logo existo'' ao Brasil, utilizando-se de uma luneta e de um cachimbo cheio de erva narcótica. Inebriado com a fauna e a flora brasileiras (e os efeitos da droga), Cartesius aguarda o estrategista do exército da Companhia das Índias Ocidentais, o polonês Artyczewski, para que ele lhe explique o Brasil.
Além do lançamento da nova edição de ''Catatau'', a Travessa dos Editores também preparou um festival artístico para homenagear Leminski. Entre as atrações estão shows musicais com Carlos Careqa, PoETs, Maxixe Machine, Makely Ka e Maisa e Marinho Galera (que apresentará em primeira mão canções compostas em parceria com Leminski); leitura de poemas com Ademir Assunção, Rodrigo Garcia Lopes e Ricardo Corona; e performances artísticas com Guilherme Dias, Retamozzo e Solda. Completando o evento, ainda acontecem uma exposição com fotos inéditas de Leminski, realizadas por João Urban, e uma exibição de Clipoemas, vídeos de inspiração leminskiana produzidos ao longo dos últimos anos para concursos realizados pela Fundação Cultural de Curitiba.

Serviço:
- Hoje, às 19 horas no Teatro Paiol (Largo Professor Guido Viaro, 51), lançamento da nova edição de ''Catatau'', de Paulo Leminski, apresentações musicais e mostra de vídeos. Entrada franca.

mockup