Lamento embalado pelo som do tecno
O documentário ''Internal Exile'' deve ser veiculado nos canais de televisão em programas dirigidos a jovens. Estão no alvo de Jason a MTV, BBC, HBO, CNN, Channel Four, Canal +, além de festivais de cinema como o Sundance (EUA). A Folha2 teve acesso ao material já captado um trailer de 8 minutos em que a destruição e o lamento são embalados ao som do tecno. O diretor se vale de uma linguagem cinematográfica que dialoga com os jovens. São depoimentos de garotos que poderiam residir em qualquer metrópole do mundo, mas que mostram o olhar condicionado ao terror. Todos têm entes queridos mortos num atentado surpresa. O filme traz imagens contundentes em que religião e destruição são formatadas num único espaço. A fragmentação das imagens faz elo com o que resta da dignidade dos jovens.
Uma das histórias do filme traz como personagem um jovem palestino de 21 anos que precisa cruzar diariamente oito barreiras para chegar ao trabalho. ''O documentário não tem a ver com política. Esses jovens vivem o tempo todo se defendendo. Eles só sabem que tem que odiar'', constata. O diretor verificou que só há o caminho da adaptação para se manter vivo, principalmente após os confrontos de 28 de setembro de 2000. Depois dessa data, quase 800 pessoas morreram do lado palestino e 200 no lado israelense.
O cineasta norte-americano conversou com muita gente até encontrar seus personagens. Um diretor de cinema palestino serviu de interlocutor. ''Foi muito difícil falar com palestinos. Me senti mais judeu lá'', confessa. Nessa batalha por recursos, Jason Gurvitz constatou que é muito raro encontrar alguém que veja o documentário de forma imparcial, não tomando partido de um lado. ''Trabalho com organizações dos dois lados extremos'', prossegue.
É comum os jovens buscarem refúgio em países como Índia e Tailândia, após terminarem o serviço militar. O exílio interno camufla o pensamento: ''não fui eu que fiz a guerra''. Para alguns, a capacidade de se indignar foi minada, para outros resiste até o próximo atentado. Gurvitz fez a triste constatação de que os itens mais cultuados pelos jovens israelenses estão o exército, seguido de música eletrônica e depois caminhões armados para ir à escola.
Ainda no filme, o diretor pretende incluir depoimentos de políticos, como o do Ministro das Relações Exteriores Shimon Peres. Os jovens questionam os poderosos em questões cotidianas. ''Como posso ir à escola em um carro normal?'', pergunta de quem só se locomove pela cidade num caminhão de guerra.
Na confluência do território sagrado, os israelenses vivem o presente, o agora. Não plantam árvores, o que significaria um pacto com o futuro. ''Eles não pensam que vão morrer, mas estão preparados para morrer'', afirma. Afinal, a cada dia explode uma bomba numa discoteca, num ônibus ou num shopping. ''Internal Exile'' pretende ser um filme sobre tolerância e paz. O diretor avisa que 10% dos lucros serão destinados às vítimas da violência de ambos os lados. Mais informações no endereço eletrônico: [email protected]. (F.F.)





