Há uma infinidade de histórias de cachorro. Algumas repletas de pulgas, outras com ossos enterrados por todo quintal. Se fossem todas reunidas, não caberiam num único canil.
Entre as muitas histórias sobre cachorro, apenas uma pequena parte delas foi escrita com a mais pura essência canina, com o próprio tutano dos animais. Como se a substância que permanece guardada dentro dos ossos fosse usada como tinta. Um especialista nessa tarefa foi o escritor norte-americano Jack London (1876 - 1916).
Jack London criou dois empolgantes clássicos escritos com tutano de cachorro, um deles chamado ‘‘O Chamado Selvagem (1903), outro ‘‘Caninos Brancos’’ (1906). Nas duas obras, o grande personagem principal é o cão que traz em suas veias o sangue dos lobos. Apresentam, de maneira poética, a relação entre homens e animais, entre o mundo selvagem e a civilização.
‘‘Caninos Brancos’’ acaba de receber uma bela edição infanto-juvenil lançada pela Editora Melhoramentos. O volume integra a coleção ‘‘Obras-Primas Universais’’, uma série de livros que oferece, paralelo aos textos literários, um amplo leque de informações geográficas, biológicas, históricas e culturais em relação à história narrada. Tudo acompanhado de muita imagem e ilustração.
Em ‘‘Caninos Brancos’’ Jack London conta a história de um cachorro que nasceu selvagem e, com o passar do tempo, foi domesticado pelo homem. Na realidade ele é muito mais lobo que cachorro. Essa origem faz com que, embora queira viver sob a proteção dos homens, a vida selvagem também pulse em seu corpo. Vivendo na gelada região do Alaska, enfrenta muitos desafios pela sobrevivência. Ao lado de sangrentas batalhas com outros animais, sofre no contato com o ser humano. Uma guerra que somente alcança a paz quando encontra um dono com o qual aprende o significado do amor.
Se em ‘‘Caninos Brancos’’ London narra o processo de transformação de um lobo selvagem num cachorro domesticado, em ‘‘O Chamado Selvagem’’ (Editora Melhoramentos, 1996) realiza caminho inverso: o processo de transformação de um cão de estimação num lobo selvagem. As aventuras e os dramas vividos pelos dois animais ensinam coisas importantes sobre o ser humano.
Depois de ler ‘‘Caninos Brancos’’, quando você encontrar qualquer cachorro perdido na rua, terá vontade de olhar em seus olhos e dizer: ‘‘Vem amigo, vem que lhe darei abrigo.’’ Depois de ler ‘‘O Chamado Selvagem’’, sentirá vontade de retirar a coleira de seu cão de estimação, abrir o portão e, olhando em seus olhos, dizer: ‘‘Vai amigo, vai em busca de sua liberdade.’’
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‘‘Caninos Brancos’’ de Jack London, Editora Melhoramentos (telefone (11) 3874-0900), ilustrações de Philippe Munch, comentários de Philippe Jacquin, tradução de Antivan Guimarães Mendes e Maria Alice Araripe de Sampaio Dória, 242 páginas, R$ 39,00.
•‘‘O Chamado Selvagem’’ de Jack London, Editora Melhoramentos, ilustrações de Philippe Munch, comentários de Philippe Jacquin, tradução de Luiz Antônio Aguiar, 128 páginas, R$ 23,00.

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