Lagoa de Pitangui abrigará resort
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domingo, 25 de março de 2001
Lourival Santanna, Agência Estado 
À primeira vista, Pitangui é apenas mais um dos balneários despretensiosos plantados na rota dos buggies que percorrem as dunas da costa do Rio Grande do Norte: um restaurante, um bar, uma loja de souvenirs, um cabo para travessia sobre a lagoa escrachadamente batizado de aerobunda , pedalins, caiaques e dois ultraleves.
A areia fina e branca que separa a bela Lagoa de Pitangui do mar, no entanto, guarda um segredo: ali deverá ser construído o primeiro resort do Rio Grande do Norte, 32 quilômetros ao norte do aeroporto de Natal, numa área de 2.200 hectares e 4 quilômetros de beira-mar, inicialmente com três hotéis, 15 pousadas, campo de golfe, parque ecológico e empreendimento imobiliário.
As redes hoteleiras estão estudando o projeto e preparando propostas. Ele prevê um hotel all-inclusive (bebidas, comidas e serviços incluídos na diária) de 275 quartos, um 4 estrelas de 300 e um condo-hotel com 140 apartamentos para hóspedes e 200 residenciais. A obra estará a cargo da Odebrecht.
Na primeira etapa, antes da construção dos hotéis, será feito um calçadão entre o mar e a lagoa, com infra-estrutura para a instalação de bares, restaurantes e pousadas dos dois lados. Essas obras devem começar em julho deste ano, para entrar em operação em setembro de 2002. Já os hotéis devem começar a ser construídos em outubro.
O Banco do Nordeste vai liberar linhas de financiamento para os pequenos e médios investidores e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) vai preparar estudos de viabilidade econômico-financeira para cada empreendimento. A Prefeitura de Extremoz (que tem jurisdição sobre o distrito de Pitangui) dará isenção de 20 anos de Imposto sobre Serviços (ISS) e de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A Universidade Potiguar, dona do empreendimento, vai dar os terrenos.
No parque ecológico haverá hípica, trilhas, o chamado turismo contemplativo observação de aves e animais e esportes radicais, como rapel, descida de árvores em corda, tirolesa (travessia com cabo), etc. Na lagoa, continuará proibido o uso de motor, para evitar poluição.
Haverá, ainda, uma fazenda modelo experimental, produzindo legumes e verduras sem agrotóxicos para abastecer os restaurantes e fornecer ervas medicinais. Para isso, já há uma sementeira.
Numa segunda fase, outros sete hotéis poderão emergir das dunas de Pitangui. É um projeto de 30 anos, diz seu diretor, Aristeu Martins Júnior. O mercado vai ditar o ritmo de seu desenvolvimento.


