Lago Titicaca sofre com poluição
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segunda-feira, 13 de janeiro de 1997
Claudia Guillén AE-Reuter 
As águas contaminadas dos povoados incrustados nas margens do lago navegável mais alto do mundo, o Titicaca, causaram um problema ambiental que requer atenção urgente, para devolver às aguas sua antiga pureza.
O Titicaca, cujo nome vem da língua aymará, traduzido para o português quer dizer puma de pedra, agora parece mais um animal doente. As águas perderam a claridade e o reflexo de cor azulada do céu que o cobre, mudando para um aspecto esverdeado e fétido.
As águas do lago, que emergem imponentes a mais de 3.812 metros acima do nível do mar e com 8.340 quilômetros quadrados no altiplano peruano-boliviano, precisam de tratamento a longo prazo para conservar sua flora e fauna, segundo os especialistas do Projeto Especial Binacional do Lago Titicaca (Pelt).
Os cientistas do Pelt denunciaram que apenas na baía de Chucuito, em Puno, registra-se mais de 100 mil coliformes fecais por mililitro, quando o nível aceitável é de apenas dez.
A contaminação com fezes fez com que enormes volumes de nitrogênio e fósforo se sedimentem no fundo do lago e provocou o surgimento uma minúscula planta conhecida como lentilha verde, visível agora como um gicantesco tapete que cobriu boa parte do lago, nos últimos anos.
Essa planta, conhecida cientificamente como Lemna Gibba, impede que os raios solares penetrem na água, causando a morte dos peixes e do plancton, revelou o biólogo Juan Ocola.
Doação O especialista disse ainda que o porto lacustre peruano de Puno, com mais de 100 mil habitantes, joga diariamente no lago 8 mil metros cúbicos de esgoto, cujos sólidos, com o passar dos anos, diminuíram em mais de 50% a profundidade das águas nas cercanias da cidade.
Os engenheiros da Pelt afirmaram que na década de 70 foi construído um tanque de oxidação próximo à cidade a fim de reverter o problema, mas foi abandonado depois que uma inundação em 1986 o destruiu.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), através de seu diretor James Gustav Speth, doou recentemente e pela primeira vez quatro milhões de dólares para o projeto.
Com essa doação, a ser dividida entre Peru e Bolívia, esperamos estabelecer novas áreas de proteção e contribuir nos projetos que protegem os recursos naturais do lago, contou Speth, visivelmente impressionado pelo estado de deterioração em que estão as águas e a gravidade da contaminação.
Ambientalistas da Pelt indicaram que cientistas japoneses também estão realizando estudos sobre a contaminação e planos para a recuperação das baías mais afetadas.
Esse estudo, que estaria terminado pouco tempo, implicaria intenção de investimento de US$ 10 milhões pelo governo do Japão, segundo atestaram os engenheiros da Pelt.


