Não foi por acaso que os incas o consideravam um lago sagrado. O Titicaca, o maior e mais alto lago navegável do mundo, a 3.812 metros de altitude, impressiona pela imensidão, pelo azul das águas e por ter o pôr-do-sol considerado o mais bonito da América do Sul. Talvez por isso os incas acreditassem que ali haviam nascido o sol, a lua e a própria civilização.
Ao contemplá-lo, a sensação que se tem é de estar diante do mar. Pudera. O Titicaca tem 8.500 quilômetros quadrados de superfície, 175 quilômetros de comprimento e 61 quilômetros de largura. E ocupa um pedacinho da fronteira de Peru e Bolívia. Seu formato, diz a população local, é de um puma. Sobre suas águas, erguem-se 41 ilhas naturais e 55 artificiais, no lado peruano.
Conta a lenda que o primeiro inca, Manco Kapac, teria nascido na Ilha do Sol, a maior de todas do lago na Bolívia, acessível pela cidadezinha de Copacabana, distante 18 quilômetros, 1h30 de barco , e que dali saiu para fundar Cuzco e Machu Picchu. Nessa ilha, também teria nascido o Sol. É fácil entender o porquê do mito. No topo, depois de subir degraus por uma hora, vê-se o astro ''afundando'' no Titicaca.
Tudo na Ilha do Sol é rústico e mágico. Já na chegada, há uma escadaria imensa com uma fonte de água ao lado, flores e camponesas vendendo bordados. As crianças brigam para oferecer hospedagem e ajudar com as malas claro, em troca de pesos bolivianos (bls).
A subida, onde se concentram as acomodações, é extenuante. Vá sem pressa, observe o lago, as casas simples, lhamas e burros e os pequenos nativos que ficam parados no caminho como se não quisessem nada. Cena que pede uma foto. Só depois do clique você descobre que terá de dar ''propina''.
Hospedagem na ilha é geralmente em casas adaptadas para turistas. Entre as que desfrutam da paisagem mais privilegiada está a Puerta del Sol.
Na parte sul, que tem melhor infra-estrutura, aproveite para visitar as ruínas do Templo do Sol, a 5 bls. O templo é pequeno, mas muitos aproveitam para sentir a energia local e depositar, escondidas, folhas de coca, acompanhadas de um pedido. Pode-se fazer o passeio em um dia, num barco que leva até a parte norte, onde há mais ruínas, e pela Ilha da Lua, onde acredita-se que as virgens ficavam isoladas até serem sacrificadas ou casarem.
O lado peruano também tem seus atrativos. Partindo de Puno, a capital folclórica do país, em meia hora de barco chega-se às Ilhas de Uros. São 55 ilhotas artificiais feitas de totora, espécie de palha que cresce nas margens do lago.
Ilhas peruanas As ilhas são divididas em sete setores, mas o único que recebe amigavelmente os turistas é a capital, Torani Pata. Nas ilhas de Tata Torani e Balsa Tupiri, simpáticos descendentes de aimaras vendem artesanato feito de totora, como réplicas de barcos e bordados. Com boa conversa, eles o convidam para conhecer suas casas de totora, claro. E, por 2 soles, se faz um passeio pelo lago a bordo de um barco nativo.
Acredita-se que os uros viviam em terra até a chegada dos espanhóis, no século 16. Mas, fugindo da escravização, construíram essas ilhas. Hoje, cerca de 1,1 mil pessoas vivem nelas. O mesmo tour leva para a Ilha Taquile, a duas horas de Uros. Essa, natural, apresenta fortes tradições quíchuas. Subindo 550 degraus, chega-se ao pátio central. No caminho, portais, ovelhas, lhamas, flores e o povo sorridente.
A população de 600 habitantes conserva costumes antigos. Não estranhe se encontrar homens com agulhas nas mãos, tecendo gorros (chuios). Em Taquile, cabe a eles essa tarefa, enquanto as mulheres confeccionam faixas para a cintura.
Aproveite para passar a noite por lá, por 10 soles (cerca de US$ 3), e aprender mais da cultura local.

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