No planalto serrano de Santa Catarina, Lages, o segundo ponto da rota da maçã, é sem dúvida uma daquelas cidades privilegiadas. Localizada a 960 metros acima do nível do mar, ela se espalha entre vastos campos, propiciando à população e aos visitantes uma paisagem exuberante. Paisagem que fez com que a região se tornasse uma das pioneiras no chamado turismo rural.
Ao todo são nove fazendas que oferecem ao turista a oportunidade de viver o dia-a-dia do campo. O luxo não é exatamente a palavra de ordem, mas conforto é o que não falta. Passeios a cavalo, de charrete e até mesmo massagens e terapias alternativas fazem parte da programação oferecida a quem se hospeda numa dessas fazendas. Mas o grande diferencial fica por conta da alimentação. No cardápio estão pratos típicos dos viajantes tropeiros que colonizaram a região, como a abóbora caramelada, a quirera com bacon e o frescal. E, por dia, são servidas no mínimo quatro refeições, geralmente incluidas no valor da diária.
A primeira fazenda a operar com o turismo rural foi a Pedras Brancas, localizada na saída da cidade. O nome vem das suas formações rochosas de arenito, tomadas pelo musgo, e espalhadas pelos 1.800 hectares da fazenda. E nela, a ordem é uma só: o hóspede é que faz o horário.
‘‘Quando o hóspede chega aqui eu já digo: agora eu não sou mais a dona da fazenda’’, comenta uma das proprietárias da Pedras Brancas, Sônia Gamborgi Ramos. ‘‘Vocês é que são. Aqui não tem horário para nada. Vocês pedem e a coisa acontece. É essa a diferença do turismo rural’’.
Assim , há tempo de sobra para saborear não só a paisagem, mas o peculiar café da manhã. Além da mesa farta, até uma vaquinha é trazida até a porta para que o próprio hóspede tire o leite que vai beber.
E se a idéia for a de pedir algumas receitas, nada melhor do que dar um pulinho até a cozinha da fazenda. É com simpatia que Elizabete da Silva, a cozinheira, faz questão de mostrar todos os segredos da culinária tropeira.‘‘Geralmente os pratos são sempre os mesmos’’, conta ela. ‘‘Mas por causa do tempero ninguém enjoa’’. O truque está na pimenta, no alho, no tomate e num certo exagero no uso do cheiro verde.
Já na cidade, o que não pode ser deixado de lado é uma visita à Catedral de Nossa Senhora dos Prazeres. Construída em pedra, durante dez anos, a igreja, de 1922, está localizada bem no centro de Lages, reunindo um grande acervo de imagens e vitrais que merecem ser vistos.Nas fazendasPasseios a cavalo e de charrete fazem parte da programação oferecida aos hóspedesVivian de Albuquerque

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