Ladrão de arte joga fora obras de valor
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segunda-feira, 27 de maio de 2002
Sandrine Pittaluga France Presse 
Estrasburgo - Sem dinheiro para sustentar sua paixão de colecionador, um jovem camareiro francês roubou durante seis anos museus, castelos, mansões e até salas de leilões de toda Europa, acumulando, segundo fontes próximas à investigação, um acervo de mais de dois bilhões de dólares.
Assim Stephane Breitwieser, de 31 anos, reuniu un conjunto de 200 obras de valor incalculável para os críticos de arte, muitas que terminaram na lixeira, nos esgotos ou no fundo de canais e reservatórios de águas.
O jovem, de Eschentzwiller (Leste da França) tem mais jeito de artista do que de ladrão profissional. Camareiro na Basiléia (Suíça) e sobrinho-neto do pintor Robert Breitwieser (1889-1975), sua paixão pela arte remonta à infância.
Este amor o levou a acumular um conhecimento artístico de autodidata e frequentar ateliês de artistas, galerias, museus e salas de leilões. Assim conheceu Christian Meichler, que confeccionou várias molduras para ele, a maioria em estilo antigo, ao longo de uma década. O famoso artesão nunca pensou que seu trabalho serviria para emoldurar obras roubadas.
Os juízes que têm em mãos caso tão singular falam da paixão doentia deste amante de pintura, em especial pelos mestres belgas e flamengos do século XVIII, e do momento em que está sendo tratado com um ladrão comum.
Desde seus primeiros crimes, que começaram em 1995 até final de 2001, data em que foi preso no Museu de Lucerna (Suíça), nunca tinha sido pego em flagrante. Sua especialidade era roubar quadros e objetos pequenos de incalculável valor artístico, especialmente dos séculos XVI e XX na França, Alemanha, Bélgica, Luxemburo, Dinamarca, Holanda e Suíça.
Os investigadores não descartam a possibilidade de que tenha vendido algumas obras, mas insistem que sua principal intenção era viver cercado de obras famosas. Fontes próximas garantem se tratar de um colecionador de arte doente.
O último caso deste tipo tem mais de uma década. Foi protagonizado por um agricultor francês apaixonado pela arqueologia, que transformou seu celeiro em museu.
Para a Justiça é muito difícil lidar com este tipo de criminoso porque geralmente não vende as obras que rouba e não deixa furos em seus crimes. Por enquanto, sua mãe, Mireille, e uma ex-namorada Anne Catherine Kleinklauss foram presas nos arredores de Breitwieser. O autor do crime disse que a jovem vigiava durante os roubos, mas ela nega qualquer participação.
A mãe, em compensação, pode ser acusada de cúmplice, por ter destruído cerca de 60 quadros roubados. Também disse que jogou quase 100 obras de arte no canal de Rhin. Stephane Breitwieser, continua preso em Lucerna e disse que lamenta o acontecido. Não falou ainda sobre sua mãe ter destruído as obras.


