Laboratório de ousadia
Se no Brasil grande parte das sexo-músicas ou pornô-músicas faz parte de atrações oferecidas em apresentações de artistas pobres - que logo partem para os programas de grande audiência -, nos Estados Unidos, a música erótica (além de não vir acompanhada pelo humor, como no Brasil) é apresentada por grandes estrelas, como Prince - que atualmente adotou um ícone impronunciável no lugar do nome - e Madonna. A maioria das canções brasileiras apimentadas vem do Nordeste, principalmente da Bahia.
O paraibano Genival Lacerda, autor de Severina Xique-Xique e o polêmico cearense Tiririca (Veja os Cabelos Dela) são exemplos de cantores de músicas atrevidas. De acordo com Gilberto Freire, autor de Casa Grande e Senzala, a miscigenação do português (europeu com mouro) seria a grande responsável pela forte sexualização da cultura brasileira. Já outros autores defendem a idéia de que, na Bahia, houve grande imigração de negros do culto afro-brasileiro, louvados por suas proezas sexuais - o que levaria, séculos mais tarde, ao culto do corpo, até chegar em Carla Perez.
Mas, para o empresário baiano do grupo É o Tchan, Cal Adan, 34 anos, autor de outras bandas semelhantes, entre elas Cafuné e Companhia de Pagode, pouco importa a teoria de Gilberto Freyre ou a opinião de antropólogos. Não li Roberto DaMatta, muito menos Freyre. O que me importa é transmitir e explorar a alegria e o rebolado do povo brasileiro, diz o empresário.





