'La mamma' faz a festa em Veneza
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Veneza - Uma ''signora mamma'' em grande forma, uma das últimas, legítimas, mais ativas e duradouras estrelas do firmamento internacional. Bela, opulenta e derramada como ordena a tradição, a napolitana Sofia Loren volta a Veneza depois de muitos anos como uma das atrizes principais do filme de estréia do filho (com o produtor Carlo Ponti) Edoardo Ponti, exibido ontem aqui fora de concurso. Hoje ela recebe uma homenagem e um prêmio especiais dados pela imprensa italiana por uma carreira que está completando o centésimo filme, exatamente este ''Between Strangers''.
Vestindo um Armani branco esportivo como convém a uma coletiva em pleno meio-dia temperado pelo calor veneziano - e com o próprio estilista-tiete sentado na primeira fila -, Sofia chegou à sala de imprensa do Casin iluminada pela felicidade, o que com certeza motivou ainda mais os jornalistas, que a acolheram com uma longa ovação. Não há como defini-la melhor: é uma mulher feliz. E não se cansa de demonstrar publicamente sua realização, pessoal e profissional. Padrão mais rústico de beleza peninsular a serviço de um talento que foi sendo lapidado mundo afora ao longo das últimas cinco décadas, Sofia chega aos 68 anos com muitas histórias para contar. Que, obviamente, não caberiam nos rigorosos 30 minutos da entrevista de ontem, reservados apenas para o filme do momento.
É impressionante sua porção leoa. Em especial quando se põe a lamber e exibir a cria, mesmo que esta possa eventualmente se constranger um pouco, na frente de tantos desconhecidos. O filme do filho não é ruim, mas também nada especial. Mesmo assim, a crítica mais intolerante que se cuide: mamãe Sofia, além de parte importante do elenco, considera impecável o trabalho de Edoardo, como roteirista e diretor. Confessadamente - despudoradamente, acrescente-se - uma mulher-personagem sempre à beira de um ataque de lágrimas, Sofia não poderia ter sido mais convincente defensora do filme e do diretor. E como a quase totalidade de perguntas a ela dirigidas era por conta do relacionamento com o filho, no set e fora dele, ou como definia e sentia o personagem (criado e escrito por Edoardo), predominou na conversa o instinto materno, fator decisivo para determinar os rumos da entrevista.
Para encerrar, não poderia faltar o tema ''passagem do tempo''. Cuidadoso, quase delicado, o jornalista inglês quis saber a receita da longevidade de sua beleza. ''Creio que é DNA'', respondeu a atriz. ''Em casa éramos todos bonitos mesmo, desde minha mãe até minha irmã, sentada ali na platéia'', acrescentou ela, apontando a irmã e soltando aquela espontânea, límpida, imensa e generosa risada, marca registrada como as lágrimas.


