''La Linda'' hoje e na tradição aimará
Salta - Deixando Tucumán em direção à Província de Salta, os viajantes encontram no percurso uma nova e esplêndida variação da paisagem. Próximos da cidade de Cafayate, a 100 quilômetros de Tafí del Valle, estão os vinhedos que fazem da região uma das mais importantes produtoras do vinho argentino.
O vinho se tornou um excelente produto de exportação do país. Em Salta, por exemplo, está a Bodega Michel Torino, uma das dez maiores da Argentina, a 1.660 metros de altitude. Segundo a assessora da vinícola, Florencia Perkins, esta é uma das razões que levaram seu Cabernet Sauvignon a ganhar a medalha de ouro no Festival London Wine. ''Além disso, temos um sol ininterrupto que banha a região durante 340 dias por ano, e uma amplitude térmica que cai de 37ºC durante o dia para 12ºC à noite, criando uvas fortes'', explica Florencia.
Os sete exclusivíssimos quartos da casa colonial da Bodega, construída antes de 1800, também estão abertos para hóspedes especiais, dispostos a pagar diária de 240 pesos.
Ainda no caminho para Salta, mais uma mudança na vegetação. Agora os vinhedos dão lugar novamente a uma vegetação mais rala, alimentada apenas pelo Rio das Conchas.
A Quebrada das Conchas os nomes são fruto da antiga paisagem do local, que era banhado pelo mar há 150 milhões de anos, antes do aparecimento das Cordilheiras dos Andes é a estrada que passa no meio de um cânion.
Vale a pena parar o carro e contemplar as Janelas, as Torres, o Anfiteatro e a Garganta do Diabo, formações naturais impressionantes. Como a região é muito próxima dos Andes, os alpinistas profissionais podem escalar picos de até 6.200 metros de altitude. Os programas duram três dias e são acompanhados por profissionais argentinos.
Já em Salta, podemos embarcar no Trem das Nuvens, passeio obrigatório para quem visita o noroeste argentino. Funcionando desde 1941, o nome do passeio não é apenas mera retórica, mas uma realidade: a locomotiva parte de Salta, a 1.187 metros de altitude, e chega a Viaducto La Polvorilla, a 4.220 metros. No caminho, corta as nuvens e obscuros povoados andinos, proporcionando uma vista simplesmente incrível. O passeio é longo cada trecho tem 219 quilômetros e consome cerca de 12 horas , mas os viajantes encaram a inesquecível sensação de flutuar sobre trilhos invisíveis e penhascos gigantescos.
Na volta, para descansar, durma pelo menos uma noite na Fazenda El Manantial, de 1.500 hectares. Lá, você pode escolher se cavalga ao lado de gaúchos ou se senta para desfrutar de deliciosas empanadas preparadas ao ar livre e servidas em grandes mesas coloniais.
Salta é um belo e tradicional vilarejo argentino. O nome do local foi inspirado na linguagem aimará e significa ''a linda''.
Para aproveitar ao máximo essa pequena cidade, é aconselhável ficar no Hotel Solar de la Plaza, uma pequena jóia em frente da praça principal.
Depois de um almoço regado a Michel Torino, vale a pena subir para descansar na piscina, na cobertura, de onde se vêem as montanhas da pré-cordilheira. Ou até mesmo caminhar até a Plaza 9 de Julio, entrar na catedral de 1878 e assistir a uma missa local. Mesmo sendo uma cidade de somente 200 mil habitantes, Salta oferece uma divertida vida noturna.
E o bom é que fica tudo pertinho: a menos de 500 metros do Cassino das Nuvens sim, o jogo é permitido em toda aquela região está a Rua Balcarce, onde está localizada a maioria dos bares.
Os lugares são animados e as saltenses não se importam de dançar por entre as mesas, encantando os poucos e sortudos turistas. A cada volta da zamba, dança típica local, entendemos cada vez mais porque Salta foi batizada de ''La Linda''. (F.M.)





