La Deneuve, um mito através dos séculos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de junho de 2000
Carlos Eduardo Lourenço Jorge De Londrina Especial para a Folha2 
Para o público que se espreme por muitas horas, à espera da chegada das celebridades convidadas para subir diariamente a escadaria escarlate do Palais, em Cannes, há sempre dois tipos de festival: com e sem Catherine Deneuve. E para delírio da multidão, 2000 foi um ano com. Lá estava ela na montée de marches para a estréia do vitorioso Dancer in the Dark, gloriosa, um modelo de elegância e estilo, resplandescente na aura de perenidade que faz dela um dos raros mitos a atravessar os séculos. E como esta mulher e atriz mantém sua estatura?
Uma tentativa de resposta seria a capacidade de manter sempre cativos o imenso público das grandes produções e a mais seletiva platéia dos filmes de arte. Mas vê-la e ouvi-la pessoalmente durante algum tempo também pode ser uma forma de abordagem. Como durante a entrevista coletiva que a equipe do filme ganhador da Palma de Ouro concedeu logo após a premiSre mundial. No esplendor de seus 57 anos, a mesma frívola, atraente, passional, madura, talentosa Catherine Deneuve monopolizou o questionário da imprensa mundial. O refinamento só faz ressaltar a pertinência das respostas, o ar enganosamente ausente só lhe confere o charme que é marca registrada. Depois de uma carreira que atravessou quatro décadas, equilibradas com sabedoria, La Deneuve chega ao século 21 mantendo-se na linha de frente do cinema mundial. Por isso é sempre o momento de celebrá-la na plenitude de seu talento. E de sua beleza.


