Bonita, serena e, se não bastasse, prestigiada como concertista. Críticos especializados não poupam adjetivos aos seus atributos físicos e, sobretudo, artísticos. Ela, sem sombra de dúvidas, é uma estrela da música erudita brasileira em plena ascensão. E o melhor dessa história toda é que a moça em nenhum momento demonstra afetações próprias de quem sabe o quanto é paparicada. ‘‘Eu sou uma pessoa leve’’- resume-se a pianista Paula da Matta que está em Londrina participando como concertista e professora do 18º Festival de Música.
E é mesmo. Dá gosto conversar com ela. Principalmente porque Paula da Matta conta sua trajetória artística de uma maneira bastante natural. O piano caiu-lhe às mãos aos 4 anos de idade. Daí em diante, foram estudos e mais estudos. Formou-se, em 89, pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Sua projeção começou em 92 quando conheceu o pianista Paul Badura-Skoda, que participava, no Rio de Janeiro, da Eco 92. Foi conhecê-lo. Tocou para ele que, deslumbrado com o talento da pianista, deu-lhe uma carta de apresentação. ‘‘Um talento notável, uma expressão musical natural e uma bela sonoridade’’ - disse Badura-Skoda sobre Paula da Matta.
A admiração foi tanta que o pianista aceitou fazer um clip com ela para o programa Fantástico. O encontro a quatro mãos se deu através da tecnologia. Ou seja, um piano computadorizado possibilitou que os dois executassem uma peça de Schubert com Paula no Brasil e Badura-Skoda na Áustria.
Portas se abriram. A primeira, uma bolsa de estudo na Hochschule fur Musik, na Alemanha, onde teve, durante um ano, aulas com o pianista russo Pavel Giliov. Em 94, foi a vez de ir aprimorar os estudos no Estados Unidos na Indiana University, onde atuou também como instrutora assistente de piano da instituição.
Lá, foi a única aluna brasileira do professor Menahem Pressler. Que, também, não poupa elogios a ela: ‘‘Uma jovem pianista cujos talentos deleitarão amantes da música em qualquer lugar’’- escreveu ele. No Brasil, para onde retornou em 96, os elogios também foram - e são - fartos. Aqui, seu talento é saudado junto com a beleza.
‘‘Musa Fashion dos Teclados’’, a ‘‘Grande Dama dos Teclados’’ são algumas das manchetes que Paula da Matta recebeu. Por sua vez, ela se mostra tímida quando se toca nesse assunto. ‘‘Eu não alimento esse tipo de coisa, isso fica por conta dos jornalistas. A razão pela qual faço música é uma só: amor. Isso vale mais que ser chamada de Musa Fashion, por exemplo’’- diz ela.
Porém, a pianista sabe que tais adjetivos ajudam a impulsionar sua carreira e, consequentemente, conquistar um público maior num país em que a música erudita não é tão prestigiada como merece. ‘‘Eu até acho engraçado quando se referem a mim dessa maneira. Por outro lado, isso dá uma certa leveza à idéia de seriedade que sempre esteve ligada ao músico erudito’’- raciocina.
Mas o fato é que, no final do ano passado, ela novamente voltou a atenção da mídia para si. Também pudera: para homenagear Santa Cecília, padroeira dos músicos, em seu dia (22 de novembro), ela resolveu subir seu piano para fazer uma apresentação aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.
Com a devida autorização do Ibama, que no Rio também é responsável pelos parques e jardins da cidade, tocou durante uma hora para cariocas e turistas de várias partes do mundo. Havia cerca de 200 pessoas. O público poderia ser maior, mas uma cláusula do contrato de autorização não permitia uma divulgação maciça para não superlotar o local.
Marketing melhor, impossível. ‘‘A apresentação até ganhou esse aspecto devido ao afluxo de jornalistas. Mas a intenção era mesmo homenagear Santa Cecília’’- diz ela, acrescentando ser muito religiosa. ‘‘Tocar lá foi uma sensação maravilhosa; foi uma sensação de proteção’’- complementa.Josoé de CarvalhoPaula da Matta: ‘‘A razão pela qual faço música é uma só, amor. Isso vale mais do ser chamada de Musa Fashion’’Apontada como uma estrela da música erudita
brasileira, a pianista Paula da Matta
participa do 18º Festival de Música de Londrina

mockup