Konder lança amanhã o livro 'A Palavra e o Sonho'
São Paulo, 24 (AE) - Rodolfo Konder conta que o pai - "Esse, sim, um erudito" - dizia aos filhos para falar bobagens à vontade, com a ressalva de nunca as escrever. O secretário municipal de Cultura de São Paulo não seguiu o conselho do pai, que jamais publicou uma linha, e lança amanhã (25) pela editora Global o 11.º livro, "A Palavra e o Sonho", reunião de crônicas e artigos escritos e publicados nos últimos dois anos. "É mais uma tentativa de sobreviver a mim mesmo", brinca o secretário, que lançou "Memória e Esquecimento", também uma coletânea, pela mesma editora, há dois anos.
A grande maioria dos textos do novo livro foi publicada pelo "Estado" e "Jornal da Tarde". A primeira crônica da publicação é justamente o texto da estréia dele no Caderno 2, este ano. O texto "Japão: Passado e Futuro" abre o livro com uma dica ao leitor de uma das predileções do jornalista, que pode ser detectada logo nas primeiras páginas: os diários de bordo.
"Sempre escrevo quando viajo", conta ele. "Esses relatos parecem agradar bastante aos leitores, pela capacidade de aproximá-los da realidade que descrevo." O secretário acredita que esse exercício permite aproximar a literatura de um exercício jornalístico de descrição. "Como ensinaram grandes mestres, como Hemingway." Konder diz que, embora saiba que as discussões políticas normalmente são esperadas nos textos dele, são outras questões que o levam a escrever. "Estou na secretaria há sete anos, mas nunca perdi de vista o fato de que esse cargo é temporário", observa. "O que fica é o jornalismo, que é minha profissão."
Ele observa que não teve trabalho em selecionar os textos para o livro. "Essa triagem já é feita no momento em que preparo minhas crônicas." Konder explica que "é quase um alemão" no trabalho de colunista semanal. "Hoje, por exemplo, já tenho prontas as próximas nove crônicas que serão publicadas nas próximas nove semanas no Caderno 2", exagera.
As impressões de viagens, descrições de lugares e digressões literárias ocupam boa parte das páginas de "A Palavra e o Sonho". Mas as discussões sobre política não estão excluídas. "São pensamentos que foram publicados não apenas em jornais, mas também no veículo da secretaria", diz ele, referindo-se à revista mensal "Agenda", editada pela jornalista Fabiana de Holanda. É o caso da crônica "Navegar É Preciso", publicada quando da realização pela Secretaria Municipal de Cultura do evento de mesmo nome.
No texto, que acompanhou o início das comemorações oficiais dos 500 anos do descobrimento do Brasil, em abril de 1998, o colunista apresenta uma breve reflexão sobre a ligação entre os países de língua portuguesa, mais especificamente Brasil e Portugal. Como na frase de Emerson, transcrita na primeira página, Konder apresenta palavras atreladas a sonhos como quem "atrela o arado às estrelas".





