KOELLREUTTER NA PAUTA DO DIA
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segunda-feira, 16 de julho de 2001
Rodrigo Souza Grota De Londrina 
Ele é um dos maiores pesquisadores sobre música brasileira. Foi o primeiro a lançar em catálogo a obra do compositor H. J. Koellreutter. O estudioso, compositor e musicólogo Carlos Kater está em Londrina para uma palestra e dois minicursos que serão oferecidos pelo 21º Festival de Música, além da introdução que realiza hoje, a partir das 18h15, do vídeo Koellreutter e a música transparente, documentário dirigido por Cacá Vivaldi que será exibido na Associação Médica de Londrina, com entrada franca.
Kater é doutor em Musicologia pela Universidade de PARIS IV - Sorbonne. Foi fundador e presidente da ONG (organização não-governamental) Atravez, onde criou e editou revistas sobre educação musical. O professor conta que conheceu Koellreutter em 1985. Para ele, o compositor que chegou ao Brasil em 1938, apenas com a sua flauta doce e seu conhecimento do que havia de mais moderno na música européia, é um dos grandes renovadores de nosso panorama musical. Existem duas grandes fases na modernidade da Música Brasileira. Uma iniciada com Heitor Villa-Lobos, quando ele estava no auge de sua criação, nos anos 30; e outra com os conceitos de música nova introduzidos no País por Koellreutter. Kater lembra também que grandes nomes da música brasileira, como Cláudio Santoro, Tom Jobim, Edino Krieger e Guerra-Peixe tiveram aulas com o professor. E que o compositor também inovou ao criar programas musicais transmitidos pela rádio da época (1944).
Segundo o musicólogo, Koellreutter mostrou aos brasileiros compositores que não eram conhecidos por aqui. Stravinsky, Schoenberg, Weber e Machault, só para ficar em alguns exemplos. Algo semelhante ao que fizeram o professor austríaco Otto Maria Carpeaux na literatura, Décio de Almeida Prado no teatro e o crítico Paulo Emílio Salles Gomes no universo cinematográfico brasileiro.
Sobre a contribuição de Koellreutter para a música brasileira, Kater considera essencial a contribuição resultante da criação de um movimento: A música viva não é só um crescimento para a produção cultural de um País, é também um fator de crescimento para a sociedade como um todo. O movimento cultural é muito mais transcendente do que parece, e devemos também lembrar que não só uma ou outra pessoa que criam uma escola. Villa-Lobos e Koellreutter tiveram muitos professores, amigos e colaboradores essenciais para a consolidação de suas obras.
Kater é autor de Música Viva e H. J. Koellreutter, Eunice Katunda, musicista brasileira e Musicalização através da Canção Popular Brasileira, livros que deve comentar durante a palestra que antecede a exibição do vídeo Koelreutter e a música transparente.
O professor também começou a ministrar ontem um curso sobre atividades musicais ligadas ao corpo. São jogos que fazem parte da tradição brasileira que usarei para potencializar o contato dos alunos com a música. Kater criou alguns desses jogos também, como Quem eu sou? e Onde estou?, que pretendem buscar a memória e a identidade das pessoas. Ele acredita que esses jogos desenvolvem a coordenação motora, estimulando a percepção sonora, consciência do tempo, pulso e expressão vocal, fundamentos essenciais da música.
Outro minicurso que está sendo conduzido por Kater versa sobre a criação na educação musical. Ele trabalhará com 52 professores da rede pública de ensino e deverá aprofundar conceitos sobre música: Quero mostrar a música como meio e fim, simultaneamente, além de esmiuçar questões sobre ecologia sonora e a relação entre alunos e professores, prevê. Ele acredita que a canção popular brasileira pode servir de intermédio para fazer um paralelo com diversos temas. Um exemplo é a canção Violeira de Tom Jobim e Chico Buarque, que mostra capital por capital de nosso País, mostrando ao aluno a diversidade de cada região brasileira.
Ele realiza ainda a palestra Música: o que é e para quem estamos ensinando?, amanhã, às 18h15 na Associação Médica, com entrada franca.


