Koellreutter em todos os sentidos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de setembro de 2005
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Não esperem um evento convencional, daqueles que pecam pelo excesso de didatismo. A proposta do ''Happening para Koellreutter'', que acontece hoje em nove salas do Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina, é criativa. ''A idéia é deixar a pessoa criar seu mapa audiovisual particular e buscar o próprio caminho'', explica Janete El Haouli, musicista, produtora e organizadora da homenagem a Hans Joachim Koellreutter, maestro, educador, compositor e pensador morto no último dia 13. Serão nove horas ininterruptas de programação, com início às 10 horas. Nesse horário serão ''disparadas'' simultaneamentes atividades como escuta de obras musicais, apresentação de vídeos, programas radiofônicos, improvisação musical e exposição de partituras, livros e fotos. O happening, de acordo com palavras da organizadora, terá ''entrada e saída'' livres e é aberto a todos os interessados.
A homenagem a Koellreutter conta com apoio da rádio Cultura FM de São Paulo, que cedeu 23 especiais de rádios produzidos entre 86 até o último domingo no caso, o tributo de Arrigo Barnabé ao maestro durante o programa ''Super Tônica'', também apresentado na Rádio Universidade FM. Janete El Haouli diz que há dois meses havia preparado uma mostra para marcar os 90 anos de idade, completados no dia 2 de setembro, que acabou não acontecendo. Ele morreria onze dias depois. Inquieta, a musicista não desanimou e resolveu fazer esse happening àquele com o qual estudou entre 79 e 89, com algumas breves interrupções outros alunos ilustres foram Tom Jobim, Tom Zé, Arrigo Barnabé, Claudio Santoro, Edino Krieger, Guerra-Peixe, só para citar alguns.
A última vez que Janete pôde vê-lo pessoalmente foi em 2000, quando o maestro veio a Londrina numa promoção conjunta do Núcleo de Música Contemporâneia e da Vivarte. Ao todo, Hans Joachim Koellreutter criou 77 composições entre peças tonais, atonais, dodecafônicas e planimêtricas, uma estética que se propõe a pensar a questão do tempo quadrimensional na música. ''Ele dizia que escolheu o Brasil para morar, mesmo que tenha sofrido muito no início. Eu sempre senti a gratidão dele, mas o Brasil não sabe o que teve e quem perdeu por falta de informação'', analisa Janete El Haouli. Ela tem razão!
Serviço
- Happening para Koellreutter. Hoje, das 10 às 19 horas, nas dependências do departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina. Entrada franca.


