Kirov em temporada brasileira
KIROV
EM TEMPORADA BRASILEIRA
Hoje, em
Porto Alegre,
o balé
russo faz
sua
primeira
apresentação
no Brasil
Agência Estado
DivulgaçãoO
Kirov Ballet volta a São Paulo com três programas diferentes: dois balés completos (La Bayadare e Giselle) e a Gala 3 com sete divertissements (trechinhos retirados de obras com fins de exibir virtuosismo). A estréia brasileira acontece hoje em Porto Alegre, no Teatro do Sesi, e o encerramento, em Belo Horizonte, no ginásio do Mineirinho, dia 8. No meio do caminho apresenta-se em Curitiba (de sexta a domingo), São Paulo (de 20 ao 24), no Rio (de 27 a 31), em Salvador (2 e 3) e Brasília (4 e 5).
A Giselle que aqui será mostrada não tem raízes na infeliz montagem que Antoine Titus fez em São Petersburgo, apenas um ano depois do sucesso da estréia de Carlotta Grisi no papel, em 1841, em Paris. Felizmente, Jules Perrot, um dos criadores da obra, tornou-se coreógrafo lá, em 1848, e levou a sua versão.
O balé Giselle permite a compreensão do modo como os russos entendem o que seja interpretação em dança. Nele, a bailarina que faz o papel principal precisa parecer uma camponesa ingênua e alegre, no início do primeiro ato; no fim dele, traída pelo seu grande amor, deve enlouquecer e matar-se, para reaparecer como um ser diáfano, etéreo (uma willi), no segundo ato.
No início do século, Olga Spessivtseva, uma das grandes Giselles do Mariinsky (nome do Kirov antes da Revolução Russa), visitou asilos para desenvolver o personagem. Há um filme documentando a sua pesquisa de campo. Esse balé foi também a razão do escândalo Nijinski. No papel do príncipe Albrecht, em 1910, Nijinski não vestiu o suporte atlético usado por todos os bailarinos homens e o intendente dos Teatros Imperiais considerou o fato uma indecência não perdoável, além de um tremendo desacato ao czar.
Quanto a La Bayadare, uma das principais criações de Petipa - o coreógrafo que moldou o estilo Kirov de dançar, no século passado - ele a estreou primeiro na companhia rival, o Bolshoi, em 1877. Mas foram nas montagens do Kirov que La Bayadare conquistou fama, especialmente a cena Reino das Sombras, o grande hit desse trabalho.
Criado em quatro atos, sofreu uma revisão para três, mas o mais popular continua sendo a entrada das almas das bayadares (dançarinas) no segundo ato. São 36 bailarinas repetindo o arabesque penché (curvatura do tronco para trás) para finalizar cada passo, simetricamente, produzindo um efeito inesquecível. Com ele, Petipa inaugurava uma outra maneira de usar o corpo de baile, um novo aproveitamento espacial do palco italiano.
La Bayadare trata de um triângulo amoroso. Solor deve casar-se com Gamzati, a filha do sacerdote, mas ama Nikya, a mais bonita das dançarinas do templo. Gamzatti mata Nikya enviando uma cesta de flores com uma cobra venenosa dentro, mas Nikya volta em sonho para Solor.
A gala que será apresentada em São Paulo mostra o tradicional picadinho de divertissements. Vai do Jardim Encantado de O Corsário ao célebre Pas-de-Quatre de Pugni, que reunia as quatro maiores bailarinas em cena, em 1845 (Taglioni, Cerrito, Grisi e Grahn), passando pelo circense Pas-de-Deux de Diana e Akteon, as Danças Polovtsianas de O Príncipe Ígor, e os Pas-de-Deux de Esmeralda, Carnaval de Veneza e Markienka. Duro mesmo é aceitar a compreensão de entretenimento dos que organizam programas assim.
Voltarão ao País os excelentes Igor Zelenski (atual free-lance da companhia, com carreira internacional variada, depois de seis anos como convidado do New York City Ballet, em Nova York), Uliana Lopatkina, Yulia Makhalina, Dianan Vishneva e Faruk Ruzimatov. A boa novidade desta vinda está na presença de Altynai Asylmuratova, uma das superestrelas da companhia, com fama e carreira internacional. Ela também dançou com Roland Petit, no seu Ballet de Marselha, com o Royal Ballet, de Londres, depois de haver sido um furacão, em Nova York, no American Ballet Theatre, nos anos 80.





