Kinoarte entra na reta final com a força da produção londrinense
Festival segue até domingo (2) registrando grande público e com destaque da produção local na tela do Villa Rica, ao lado de nomes nacionais
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sexta-feira, 31 de outubro de 2025
Festival segue até domingo (2) registrando grande público e com destaque da produção local na tela do Villa Rica, ao lado de nomes nacionais
Pamela Destacio/ Especial para a FOLHA 

A 27ª edição do Festival Kinoarte de Cinema entra em sua reta final após dias de intensa programação, sessões lotadas e um público que confirma Londrina como uma das cidades mais ativas e criativas do audiovisual paranaense. Com exibições gratuitas no Cine Villa Rica, o festival reúne até domingo (2) grandes nomes do cinema brasileiro e abre espaço para uma nova safra de produções locais.
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Nesta sexta-feira (31), às 20h, ocorre a última sessão da Competitiva de Curtas Londrinenses, que leva à telona “Um Desvio Naquela Mesa”, de Louisa Savignon, e “Melodia da Saudade”, de Daniel Paulo, seguidos do longa-metragem “3 Obás de Xangô”, de Sérgio Machado.
A programação continua no sábado (1º), às 16h, com as Competitivas Nacionais de Curtas e a exibição do longa “Alma Negra – Do Quilombo Ao Baile”, de Flavio Frederico. Já no domingo (2), último dia do festival, acontecem as sessões finais das Competitivas Nacionais de Curtas, a partir das 14h, seguidas do longa “Verde Oliva”, de Wellington Sari, às 18h.
O encerramento está marcado para as 20h, com a exibição do curta “Das Cinzas Às Cinzas”, de Artur Ianckievicz, e a aguardada cerimônia de premiação, que antecede o longa “Enterre Seus Mortos”, de Marco Dutra. As entradas são organizadas por fila, em ordem de chegada, sem necessidade de retirada prévia de ingressos.
LONDRINA EM DESTAQUE
A produção local é um dos orgulhos desta edição. Cerca de 20 curtas-metragens integram a Competitiva Londrinense, que tem exibições quase diárias desde o início da programação do festival, mostrando o vigor e a diversidade do cinema feito na cidade, como resultado das políticas e leis de incentivo.
A representatividade também chega à Competitiva Nacional de Curtas, que neste domingo (2) exibe “Dança dos Vagalumes”, dirigido pelo cineasta Maikon Nery. A obra estreou no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, em junho, e também já passou pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos mais importantes do País, em setembro deste ano.

“Agora, fico especialmente contente em apresentá-lo em casa. Já tivemos duas exibições aqui na cidade, mas dentro do Kinoarte é diferente; é especial. Devo uma parte importante da minha formação como cinéfilo em Londrina aos filmes e debates que acompanhei desde as primeiras edições do festival. Por isso, apresentar um filme no Kinoarte é sempre uma alegria”, declarou Nery à FOLHA.
Em 2023, o diretor conquistou o prêmio de Melhor Filme na Competitiva de Curtas Londrinenses, pelo júri oficial, e neste ano avançou para disputar a mostra nacional. “Isso significa que o cinema feito aqui está em pé de igualdade com o de qualquer outra parte do Brasil. Só precisamos furar a barreira de estarmos no interior, uma questão que ainda não foi superada. É muito difícil para as produções do interior chegarem aos grandes festivais e alcançarem as premiações. Quando isso acontece, é um verdadeiro feito”, ressaltou.
Com produção do coletivo Filmes ao Vento, em parceria com Diogo Blanco e Yan Sorgi, o curta explora memórias, infância e as lutas sociais no Assentamento Eli Vive, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), na zona rural de Londrina. O elenco traz a participação de crianças da Escola Municipal do Campo, Trabalho e Saber e destaque para a protagonista mirim Karoliny da Cruz Cardoso.
Além das obras que disputam o troféu Francelino França, o curta “Das Cinzas às Cinzas”, de Artur Ianckievicz, também representa a produção local, já no encerramento, com cenas gravadas em julho de 2024 no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova, região central da cidade.
Realizado pelas produtoras Leste e Kinoarte, o filme conta a história de Sueli, uma jovem do interior do Paraná que sai de um colégio de freiras para descobrir seu lugar no mundo, suas potencialidades e suas possibilidades de conexão com várias instâncias do imaterial.

Nesta edição, Londrina também ganhou evidência na sétima arte com “Assalto à Brasileira”, de José Eduardo Belmonte, exibido em três sessões gratuitas no último fim de semana. O longa, que traz filmagens realizadas no centro da cidade, revisita um episódio emblemático da história londrinense. Já o documentário “Agostinho”, de Ney Inácio, o único longa-metragem da programação dirigido por um conterrâneo, foi apresentado no dia 24 e também mostra a força dos realizadores locais no cenário audiovisual.
‘MELHOR EDIÇÃO’
Mesmo antes do encerramento, o 27º Festival Kinoarte de Cinema já reforça que o fascínio pelas salas de exibição permanece vivo, apesar da oferta cada vez maior de plataformas de streaming. Após tantos anos de realização, Londrina abraçou o evento e o incorporou à sua rotina cultural como uma oportunidade de ver produções inéditas na telona.
Como prova, apenas as sessões de “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e “Assalto à Brasileira”, juntas, reuniram cerca de 1.800 espectadores, além de um número expressivo de pessoas que enfrentaram a fila, mas não conseguiram entrar devido à lotação do espaço. Nas redes sociais, o público também reagiu com entusiasmo e nostalgia: muitos comentaram sobre a emoção de voltar ao Villa Rica e relembraram os tempos de ouro do cinema de rua e suas antigas sessões.
Para o coordenador do festival, Bruno Gehring, esta tem sido a melhor edição da história do evento, considerando alcance e engajamento. “A presença de público tem sido enorme, o retorno tem sido o melhor possível, os realizadores e realizadoras de Londrina e da região têm um espaço privilegiado (tanto em estrutura quanto em plateia) para exibirem seus trabalhos, fomentando o interesse, valorizando a circulação e promovendo a troca com outros realizadores e outras realizadoras durante o festival”, afirmou.
Gehring também destaca o desafio permanente de expandir o festival e atrair novos públicos. “Conseguimos movimentar grande parte do audiovisual da cidade e da região, além de pessoas que não costumam frequentar as salas de cinema nem assistir ao tipo de filme que é exibido no festival. O desafio de continuar crescendo é constante desde a fundação do festival e neste ano aprendemos lições valiosas para continuar a expansão, agregando pessoas novas, gerando interesse em um público não tão habituado às salas e aos festivais de cinema e consolidando a posição da Kinoarte como uma das principais referências em cinema no estado e no Sul do País”, completou.
FESTIVAL KINOARTE
O Festival Kinoarte de Cinema é uma produção do estúdio de criação Leste e da Kinoarte, com patrocínio da SMC (Secretaria Municipal de Cultura), via Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), apoio da Secretaria de Estado de Cultura do Paraná, por meio do edital Paraná Festivais, e recursos da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura), do Ministério da Cultura.




