A 27ª edição do Festival Kinoarte de Cinema entra em sua reta final após dias de intensa programação, sessões lotadas e um público que confirma Londrina como uma das cidades mais ativas e criativas do audiovisual paranaense. Com exibições gratuitas no Cine Villa Rica, o festival reúne até domingo (2) grandes nomes do cinema brasileiro e abre espaço para uma nova safra de produções locais.

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Nesta sexta-feira (31), às 20h, ocorre a última sessão da Competitiva de Curtas Londrinenses, que leva à telona “Um Desvio Naquela Mesa”, de Louisa Savignon, e “Melodia da Saudade”, de Daniel Paulo, seguidos do longa-metragem “3 Obás de Xangô”, de Sérgio Machado.

A programação continua no sábado (1º), às 16h, com as Competitivas Nacionais de Curtas e a exibição do longa “Alma Negra – Do Quilombo Ao Baile”, de Flavio Frederico. Já no domingo (2), último dia do festival, acontecem as sessões finais das Competitivas Nacionais de Curtas, a partir das 14h, seguidas do longa “Verde Oliva”, de Wellington Sari, às 18h.

O encerramento está marcado para as 20h, com a exibição do curta “Das Cinzas Às Cinzas”, de Artur Ianckievicz, e a aguardada cerimônia de premiação, que antecede o longa “Enterre Seus Mortos”, de Marco Dutra. As entradas são organizadas por fila, em ordem de chegada, sem necessidade de retirada prévia de ingressos.

LONDRINA EM DESTAQUE

A produção local é um dos orgulhos desta edição. Cerca de 20 curtas-metragens integram a Competitiva Londrinense, que tem exibições quase diárias desde o início da programação do festival, mostrando o vigor e a diversidade do cinema feito na cidade, como resultado das políticas e leis de incentivo.

A representatividade também chega à Competitiva Nacional de Curtas, que neste domingo (2) exibe “Dança dos Vagalumes”, dirigido pelo cineasta Maikon Nery. A obra estreou no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, em junho, e também já passou pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos mais importantes do País, em setembro deste ano.

"A Dança dos Vagalumes", de Maikon Nery, já foi apresentado no Olhar de Cinema, em Curitiba, e também no Festival de Brasília
"A Dança dos Vagalumes", de Maikon Nery, já foi apresentado no Olhar de Cinema, em Curitiba, e também no Festival de Brasília | Foto: Divulgação

“Agora, fico especialmente contente em apresentá-lo em casa. Já tivemos duas exibições aqui na cidade, mas dentro do Kinoarte é diferente; é especial. Devo uma parte importante da minha formação como cinéfilo em Londrina aos filmes e debates que acompanhei desde as primeiras edições do festival. Por isso, apresentar um filme no Kinoarte é sempre uma alegria”, declarou Nery à FOLHA.

Em 2023, o diretor conquistou o prêmio de Melhor Filme na Competitiva de Curtas Londrinenses, pelo júri oficial, e neste ano avançou para disputar a mostra nacional. “Isso significa que o cinema feito aqui está em pé de igualdade com o de qualquer outra parte do Brasil. Só precisamos furar a barreira de estarmos no interior, uma questão que ainda não foi superada. É muito difícil para as produções do interior chegarem aos grandes festivais e alcançarem as premiações. Quando isso acontece, é um verdadeiro feito”, ressaltou.

Com produção do coletivo Filmes ao Vento, em parceria com Diogo Blanco e Yan Sorgi, o curta explora memórias, infância e as lutas sociais no Assentamento Eli Vive, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), na zona rural de Londrina. O elenco traz a participação de crianças da Escola Municipal do Campo, Trabalho e Saber e destaque para a protagonista mirim Karoliny da Cruz Cardoso.

Além das obras que disputam o troféu Francelino França, o curta “Das Cinzas às Cinzas”, de Artur Ianckievicz, também representa a produção local, já no encerramento, com cenas gravadas em julho de 2024 no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova, região central da cidade.

Realizado pelas produtoras Leste e Kinoarte, o filme conta a história de Sueli, uma jovem do interior do Paraná que sai de um colégio de freiras para descobrir seu lugar no mundo, suas potencialidades e suas possibilidades de conexão com várias instâncias do imaterial.

Imagem ilustrativa da imagem Kinoarte entra na reta final com a força da produção londrinense
| Foto: Divulgação

Nesta edição, Londrina também ganhou evidência na sétima arte com “Assalto à Brasileira”, de José Eduardo Belmonte, exibido em três sessões gratuitas no último fim de semana. O longa, que traz filmagens realizadas no centro da cidade, revisita um episódio emblemático da história londrinense. Já o documentário “Agostinho”, de Ney Inácio, o único longa-metragem da programação dirigido por um conterrâneo, foi apresentado no dia 24 e também mostra a força dos realizadores locais no cenário audiovisual.

‘MELHOR EDIÇÃO’

Mesmo antes do encerramento, o 27º Festival Kinoarte de Cinema já reforça que o fascínio pelas salas de exibição permanece vivo, apesar da oferta cada vez maior de plataformas de streaming. Após tantos anos de realização, Londrina abraçou o evento e o incorporou à sua rotina cultural como uma oportunidade de ver produções inéditas na telona.

Como prova, apenas as sessões de “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e “Assalto à Brasileira”, juntas, reuniram cerca de 1.800 espectadores, além de um número expressivo de pessoas que enfrentaram a fila, mas não conseguiram entrar devido à lotação do espaço. Nas redes sociais, o público também reagiu com entusiasmo e nostalgia: muitos comentaram sobre a emoção de voltar ao Villa Rica e relembraram os tempos de ouro do cinema de rua e suas antigas sessões.

Para o coordenador do festival, Bruno Gehring, esta tem sido a melhor edição da história do evento, considerando alcance e engajamento. “A presença de público tem sido enorme, o retorno tem sido o melhor possível, os realizadores e realizadoras de Londrina e da região têm um espaço privilegiado (tanto em estrutura quanto em plateia) para exibirem seus trabalhos, fomentando o interesse, valorizando a circulação e promovendo a troca com outros realizadores e outras realizadoras durante o festival”, afirmou.

Gehring também destaca o desafio permanente de expandir o festival e atrair novos públicos. “Conseguimos movimentar grande parte do audiovisual da cidade e da região, além de pessoas que não costumam frequentar as salas de cinema nem assistir ao tipo de filme que é exibido no festival. O desafio de continuar crescendo é constante desde a fundação do festival e neste ano aprendemos lições valiosas para continuar a expansão, agregando pessoas novas, gerando interesse em um público não tão habituado às salas e aos festivais de cinema e consolidando a posição da Kinoarte como uma das principais referências em cinema no estado e no Sul do País”, completou.

FESTIVAL KINOARTE

O Festival Kinoarte de Cinema é uma produção do estúdio de criação Leste e da Kinoarte, com patrocínio da SMC (Secretaria Municipal de Cultura), via Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), apoio da Secretaria de Estado de Cultura do Paraná, por meio do edital Paraná Festivais, e recursos da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura), do Ministério da Cultura.

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