A atração de hoje no 3º Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba é ‘‘Paixão Perdida’’, do diretor Walter Hugo Khoury, às 22 horas, no Teatro Fernanda Montenegro (Shopping Novo Batel). O filme faz parte da Mostra Oficial do Festival.
Explorando temas recorrentes em sua obra, o diretor discute a afirmação masculina em contraponto à sensibilidade feminina em seu mais recente trabalho. Para isso, conta a história de Marcelo (o novato Fausto Carmona), garoto que, após a morte da mãe (Maitê Proença, em breve aparição), passa a viver em estado vegetativo. Quando a jovem enfermeira Anna (Mylla Christie) assume os cuidados do menino, aos poucos ela começa a entrar no mundo dele, domando seus conflitos. Apesar de ter uma bela namorada (Paula Burlamaqui), o pai do garoto (Antonio Fagundes) começa a desejar a babá. Assim, começa um romance que incomoda todos os membros da família, especialmente a governanta Matilde (Zezeh Barbosa) e Berenice (Andréa Dietrich), filha mais velha do protagonista.
A produção, de R$ 1,4 milhão, é da Videcom, em co-produção com a TV Cultura. Consumiu quase dois meses de filmagens em São Paulo basicamente numa mansão no Morumbi. Um dos seus diferenciais é um cuidado extremo de produção realçado pela fotografia de Antônio Luiz Mendes.
O diretor Walter Hugo Khouri é reconhecido por seu estilo marcadamente pessoal e pela atmosfera de suas películas, onde há uma unidade de linguagem e temática. Khoury é autor e roteirista de todos os seus filmes e seu cinema tem uma gênese ligada ao universo urbano de São Paulo, onde nasceu e realizou a maior parte de seu trabalho.
O diretor Del Rangel esteve ontem em Curitiba para o lançamento do seu filme ‘‘Contos de Lygia’’, baseado em três contos de Lygia Fagundes Telles, também na Mostra Oficial do Festival de Cinema e Vídeo.
‘‘Lygia está para o cinema assim como Nelson Rodrigues está para o teatro’’, define Rangel. Ele a considera ‘‘uma grande colecionadora de palavras. Lygia me fascina’’. As inquietações da escritora despertaram a necessidade de Rangel realizar um trabalho autoral.
Rangel conta que procurou os contos que falassem de morte. ‘‘Não só no sentido físico mas também na capacidade do ser humamo estabelecer barreiras na sua vida.’’ Ele observa que, quando as pessoas chegam à idade madura, deveriam ter a capacidade de viver plenamente com tanto conhecimento armazenado. ‘‘Mas não. Ao invés disso, anunciam: para mim chega.’’ É nisso que Rangel se fixou para montar os ‘‘Contos de Lygia.’’

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