Kevin Costner aposta no amor à moda antiga em "Uma Carta de Amor", que estréia amanhã
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 31 (AE) - É o tipo do filme que, se você contar o fim, perde a graça. Metade do público, principalmente o feminino, deixará de vê-lo. Não é o caso. "Uma Carta de Amor", que estréia amanhã (01), é o filme que marca o renascimento de Kevin Costner. Renascimento de público, acrescente-se. Ainda não foi desta vez que ele conseguiu somar ao faturamento de bilheteria o sucesso entre a crítica. Seu prestígio andava abalado depois de duas bombas: "Waterworld - O Segredo das águas" e "O Mensageiro". Nos Estados Unidos, "Uma Carta de Amor" foi para os primeiros lugares nas bilheterias. Costner até ressurgiu, indo anunciar o Oscar, depois de amargar, nos anos anteriores, o fato de servir como motivo de piada para apresentadores como Billy Crystal. Depois de anos investindo em aventuras caras que se revelaram filmes desastrosos, o ator e diretor de "Dança com Lobos" resolveu investir no certo: um filme romântico - bem romântico. "Uma Carta de Amor" tem direção de Luis Mandoki, cineasta mexicano que ganhou alguns elogios da crítica com o filme "Gaby, uma História de Amor", sobre uma garota deficiente. Não se pode negar certa coragem a Mandoki e a Costner. Os dois fizeram um filme contra a corrente. Não por ser romântico - o romantismo sempre foi uma das vertentes da produção hollywoodiana. A coragem é de outra ordem. Costner demora para aparecer em "Uma Carta de Amor". A verdadeira protagonista é a personagem de Robin Wright Penn. A história começa e termina do ângulo dela. E é contada num estilo quase oposto ao das narrativas picotadas da geração MTV. Tudo é lento e demorado em "Uma Carta de Amor". Os personagens tomam todo o tempo para se realizar, como gente como a gente, aos olhos do espectador. É um filme sobre a dor da perda e a superação.
Robin faz uma jornalista. Encontra uma garrafa contendo uma mensagem na praia. A carta é de amor e Robin conta para as colegas e para o chefe. Este fareja o que o assunto tem de jornalístico. Publica uma matéria no jornal. O público interessa-se e começa a corrida para saber quem foi o homem que escreveu a tal carta. Rastreando informações aqui e ali, Robin chega até Costner.
Ele é construtor de barcos, um lobo do mar que ficou viúvo e escreveu a carta para a ex-mulher. Apaixonam-se, mas o fantasma da outra está sempre presente. Quando Costner está para decidir-se por Robin descobre que ela o esteve usando. O público americano adorou. A distribuidora Warner promoveu uma sessão só para mulheres no Maksoud e elas também adoraram. No fim da sessão corria um rio na sala, de tantas lágrimas. É um filme para chorar, mas de raiva. Todo errado.
Já não se fazem melodramas como antigamente. Mandoki não é o grande Douglas Sirk, que sabia como colocar melodia no drama. Também não é François Truffaut, um romântico que desconfiava do romantismo e fazia filmes carregados de densidades e sutilezas. O personagem de Costner não seria um estranho no universo truffautiano de "O Quarto Verde", que também trata da morte e suas consequências. Mas "Uma Carta de Amor" só é contra corrente na aparência. É cinemão no que tem de pior. Um filme antiquado como o ato de lançar mensagens ao mar numa garrafa. O melhor é a graça de Robin Wright.
A senhora Sean Penn é realmente talentosa, além de bonita - de uma beleza que lembra Jessica Lange de 20 anos atrás. Ela e o veterano Paul Newman, num papel de velho, como o pai de Costner, são responsáveis pelos melhores momentos de interpretação. Para quem gostar muito do filme, a boa notícia é que "Uma Carta de Amor", além de ser visto, pode ser lido. O livro está sendo lançado no País. É um best seller de Nicholas Sparks que, só nos Estados Unidos, vendeu 800 mil exemplares.


