KEROUAC
EM FORMATO
DE BOLSO
Livro do escritor norte-americano, que foi um dos expoentes da ‘‘geração beat’’, é relançado pela L&PM
Nelson Sato
ReproduçãoJack Kerouac: objeto de revival nos Estados Unidos desde 95A célebre ‘‘prosa espontânea’’ do escritor Jack Kerouac vai, aos poucos, retornando às livrarias mais de uma década depois do boom de literatura beat no País.
Kerouac, que morreu com 47 anos em 1969, tem sido alvo de discretas reedições no mercado brasileiro. Depois de On the Road, relançado recentemente pela Ediouro, é a vez de O Livro dos Sonhos voltar ao catálogo e a circular entre os leitores - desta vez em formato de bolso. O título está saindo pela coleção Pocket da editora gaúcha L&PM, que o publicou originalmente em 1985.
No livro, Kerouac traz uma espécie de diário de seus sonhos reunindo uma série de textos curtos encharcados de imagens oníricas e desconexas. Em várias passagens da obra, o autor mistura personagens oriundos de seus outros livros inserindo inclusive uma lista de seus nomes verdadeiros e os adquiridos nos demais trabalhos e em O Livro dos Sonhos. O poeta e amigo Allen Ginsberg, por exemplo, que em On the Road chamava-se ‘‘Carlo Marx’’ vira ‘‘Irwin Garden’’ no Livro dos Sonhos.
Todo o material, confessa ele na introdução, foi ‘‘anotado às pressas, à medida que ia despertando - e estão todos descritos de maneira mais espontânea e fluida, tal como sucede durante o sono, por vezes até mesmo antes de me sentir totalmente acordado’’. Kerouac não diz, mas tal processo de criação retoma a técnica da ‘‘escrita automática’’, muito usada pelos poetas surrealistas no começo do século.
O livro sofreu um corte monumental para ser publicado nos Estados Unidos. Na ocasião, 1961, o poeta, amigo e também expoente da geração beat Lawrence Ferlinghetti obrigou-o a suprimir vários trechos para lançá-lo por sua editora City Lights. Kerouac não chiou, chegando a elogiar o resultado final. Agora em formato de bolso, a reedição brasileira chega como uma ótima notícia para os órfãos locais da literatura beat.
As duas recentes reedições de Kerouac, contudo, são tímidas frente ao revival que vasculha há três anos o legado do autor nos Estados Unidos. Convém lembrar que, em 95, Kerouac não só foi objeto de uma série de lançamentos como estes coincidiram com o anúncio da adaptação de On The Road para o cinema com direção de Francis Ford Coppola.
Sua redescoberta incluiu uma megaexposição no Museu Whitney, a publicação de uma coletânea de suas cartas e o lançamento de um CD-ROM que combinava textos, clipes de filmes, músicas e entrevistas com os velhos amigos. Para os brasileiros, resta o consolo de que pelo menos sua obra deixe de figurar sob a famigerada tarja ‘‘fora-de-catálogo’’.

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