Ken Parker em minissérie
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de agosto de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Vai ser uma surpresa e tanto para seus admiradores. O fato é que mais uma revista de Ken Parker chega às bancas na próxima semana, dois meses depois da publicação do álbum Um Príncipe para Norma pelo Clube dos Quadrinhos (Cluq).
O lançamento é uma minissérie em três edições, desta vez pela editora Mythos, reunindo as aventuras Silêncio Branco e O Selvagem. O contrato de licenciamento do título prevê apenas a publicação da minissérie. Mas, segundo o editor, seu eventual sucesso levará automaticamente à aquisição de novas histórias.
Ken Parker já foi saudado como o último grande herói do western spaghetti. Foi criado na década de 70 pelos italianos Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo, que se inspiraram no personagem vivido pelo ator Robert Redford no filme Mais Forte que a Vingança para compor o caubói. Ao longo da década, transformou-se num dos gibis mais cultuados pelos críticos.
Ao contrário do popular Tex, Ken Parker é um caubói que prefere livros a tiros. Se o primeiro já carregou os estigmas de racista e reacionário, o segundo sempre obteve simpatia lutando ao lado de índios contra os brancos, participando de greves e defendendo a ecologia. Enquanto Milazzo espalhava aquarelas em capas e páginas, Beraldi mirava-se nos faroestes de Sérgio Leone entremeando a narrativa com referências e citações a outras artes.
Shakespeare, Walt Withman, o Gordo e o Magro, Luke Lucky, Marilyn Monroe e até os próprios autores já deram as caras entre um episódio e outro. No Brasil, Ken Parker brinca de esconde-esconde com seus leitores. Foi publicado regularmente até 1984, quando desapareceu junto com a Vecchi, a editora que o comercializava. Através dela, o público conheceu 53 episódios da coleção original.
Voltou pela Best News, que lançou apenas os capítulos 54 e 55, privando os leitores das quatro últimas aventuras da saga. De lá para cá, iniciativas isoladas bancaram dois álbuns especiais e uma minissérie de duas edições, todas em edições limitadas. Desta vez, é a Mythos que encara a empreitada. Os órfãos de Ken Parker agradecem.


